22 de abril de 2008
 
A cada três dias, um homossexual é assassinado

Mortes chegaram a 122 no ano passado, superando México e EUA

Brasília

O Brasil é o campeão mundial de assassinatos de homossexuais. A denúncia é do antropólogo e presidente do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott. De acordo com a associação, são mais de 100 casos por ano – o que, na média resulta em um homossexual ou travesti assassinado a cada três dias.

– Em 2007, foram 122. Vivemos um verdadeiro homocausto – afirma Mott, num trocadilho que busca associar as mortes dos homossexuais com o o holocausto.

O México é o país com o segundo maior número de assassinatos anuais (35) seguido pelos Estados Unicos, que tem 25 casos, o quem proporcionalmente à população, significa muito menos.

– Lá, são 100 milhões de habitantes a mais do que aqui – compara o antropólogo.

Mott alerta sobre a necessidade de se erradicar esse tipo de crime no Brasil, "sob pena de passar à história como o país mais homofóbico do mundo".

De acordo com Mott, neste ano o Grupo Gay da Bahia contabilizou 49 casos de assassinatos de homossexuais até 14 de abril. Ele disse que só aumenta o número de travestis mortos. Há uma tendência nova. Os travestis sempre representaram 25% a 30% dos casos de mortes. Neste ano, eles representam metade dos casos.

– Como eles representam uma faixa de 30 mil habitantes brasileiros, então as chances de um travesti morrer assassinada é 259 vezes maior do que um homossexual do sexo masculino.

Coleta de dados

Os dados da organização são coletados na internet e nos jornais. Por isso, o presidente do Grupo Gay acredita que os números podem ser ainda maiores. Segundo ele, não existem estatísticas oficiais sobre assassinados homossexuais, o que revela descaso das autoridades com esse segmento da população.

– É fundamental que o governo institua aulas de educação sexual em todos os níveis escolares para ensinar o respeito ao homossexual e ao travesti. Depois, que a polícia e a Justiça punam severamente quem mata homossexuais. Em terceiro lugar, é preciso que gays e lésbicas saiam do armário, assumam sua identidade e denunciem quando forem ameaçados – argumenta o antropólogo.

[ 22/04/2008 ]   02:01