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Carlo Iberê e Karla Correia BRASÍLIA Às voltas com disputas internas por cargos estratégicos do setor elétrico, a cúpula do PMDB tem reunião marcada para hoje com o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, na tentativa de aparar arestas e promover consenso entre os nomes que serão indicados para ocupar os postos considerados como as jóias da coroa do segundo escalão do governo. Mas, por ora, a melhor palavra para descrever a situação do partido na indicação desses nomes é impasse. Dos cerca de 20 cargos em jogo, apenas um - o gerente-geral de Engenharia da Petrobras, Jorge Zelada - é produto de razoável acordo dentro da legenda para a vaga de Diretor Internacional da estatal. Para os demais, as chances do Palácio do Planalto bater o martelo nesta semana são poucas. Outra certeza dentro do PMDB virá do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN): o nome do presidente da Eletrobrás. Com a chancela do senador José Sarney (PMDB-AP). Padrinho político do ministro Edison Lobão, José Sarney movimenta-se com extremo cuidado para não colar no afilhado a imagem de "rainha da Inglaterra" no cargo e se afastou do centro das negociações e de Brasília. Preferiu se instalar em uma casa de praia de sua filha, no litoral maranhense. Nos bastidores, contudo, trabalhou para emplacar o nome do presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), Evandro Coura, para o posto. Para evitar ter seu nome atrelado à indicação, o senador chamou, há duas semanas, o presidente do Senado para uma conversa. Disse que caberia a Garibaldi a escolha do nome bancado pelo PMDB para um dos principais cargos do segundo escalão do setor. O gesto serviria também para agradar Garibaldi e atraí-lo mais para perto do governo. Poucos dias depois, Evandro Coura procurou o presidente do Senado para apresentar-lhe suas referências. Mas o nome de Coura perdeu o vigor. Sobretudo por conta da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que teria se manifestado contrária a nomeação de Coura, até semana passada considerado como certo na lista do PMDB. Em seu lugar, ganhou força o nome do ex-presidente da Eletronuclear Flávio Decat, que conta com o apoio de Dilma e atende aos pleitos do PMDB no Senado. Cauteloso, o governo espera que o partido resolva suas pendências internas antes de aceitar qualquer indicação. Todo esforço é voltado para evitar atritos com os setores não atendidos na disputa por cargos e manter o maior partido da base unido nas duas Casas do Parlamento. - Estamos ouvindo mais para não criar problemas e dirimir diferenças e dúvidas dentro do partido - diz o ministro José Múcio. - A idéia é homogeneizar os pleitos dentro da legenda antes de anunciar qualquer decisão. Os nomes indicados terão que representar o equilíbrio dos pleitos de deputados e senadores do PMDB. O nome de Zelada ainda terá que passar pelo crivo do conselho administrativo da Petrobras para ser confirmado no cargo. Até o início da noite de ontem, o conselho não tinha dado indicações de que analisaria a indicação do PMDB para a diretoria da estatal. A expectativa é que somente depois que o ministro Edison Lobão assumir seu assento no órgão a nomeação de Zelada seja definida. Além disso, Zelada terá de sobreviver à pressão do PT que, não sem a ajuda de uma pequena parcela do PMDB do Senado, defende a permanência do atual diretor, Nestor Cerveró. Os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Renan Calheiros (PMDB-AL) são os padrinhos de Cerveró. Zelada, por sua vez, é indicação da bancada mineira do PMDB na Câmara.
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