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O banco de esperma Cryos, instalado em Aarhus, a maior cidade universitária da Dinamarca, abastece cerca de 50 países. Dos vizinhos europeus ao Kuwait, Coréia do Sul e Austrália. São mais de 15 mil crianças nascidas de "escandinavos puros", jovens estudantes universitários, que encontram na doação de sêmen um modo fácil de conseguir dinheiro. Por dois minutos de trabalho e 0,4 mililitro do escasso líquido, pode-se receber de R$ 200 a R$ 600, se o esperma for de qualidade excepcional. A demanda é crescente. Em 2006 o Cryos faturou 2 milhões de euros. É cada vez maior o número de pessoas com problemas de esterilidade; mulheres que tentam uma produção independente e casais gays que assumem seu relacionamento. Todos querem constituir uma família. O slogan "Parabéns, é um viking!" atrai consumidores do mundo todo que sonham com crianças de pele, cabelos e olhos claros. O catálogo de doadores, que são identificados pelo número de matrícula, informa apenas os dados que demonstram a incontestável origem ariana, além do nível de escolaridade e a profissão. Os critérios de seleção do esperma são rigorosos. O material é examinado com microscópio e depois congelado a 196 graus negativos, por seis meses, o tempo necessário para excluir a possibilidade de transmissão de alguma doença. A qualidade do esperma pode variar por circunstâncias como stress, qualidade do sono, alimentação e atividade sexual. Um esperma saudável contém 10 milhões de espermatozóides. Existem doadores que são pais de centenas de crianças. O Cryos oferece também um serviço de congelamento de esperma aos homens que tenham risco de ficaram estéreis, ou àqueles que pretendam fazer vasectomia. Nesse caso, o esperma é guardado para o caso de o cliente mudar de idéia e resolver ter filhos. A Dinamarca é dos poucos países europeus que permite o anonimato do doador. Está aí o sucesso do Cryos. Na Suécia, Inglaterra, Finlândia e Noruega é obrigatória a identificação. Na Alemanha e na Suíça, o direito de cada cidadão conhecer suas origens consta da Constituição. Em novembro de 2006 o Times, referindo-se aos 25 mil tubos de esperma que o Cryos mantinha congelados prontos para serem exportados, anunciou que o "esperma dinamarquês estava conquistando o mundo". Na edição de outubro deste ano do Le Nouvel Observateur, a jornalista Sophie des Déserts, enviada especial à Aarhus, em artigo traduzido pela Folha de São Paulo, descreveu "A nova invasão viking". Apesar da oferta de bebês louros de olhos azuis, o fundador do Cryos, Ole Schou, rejeita a óbvia sedução genética: "Não vendemos superbebês, mas nossos doadores são escandinavos e a referência aos vikings é um meio de nos fazer conhecer". O sucesso do banco de esperma dinamarquês é tão grande que vai abrir uma filial em Nova York. E para facilitar o comércio, a encomenda pode ser feita on-line, com entrega em 48 horas. É inevitável, entretanto, que um dia estas crianças venham a querer saber quem são seus pais. Muitos já estão procurando o Cryos, cheios de indagações. A legislação da maioria dos países europeus proíbe a sonegação destas informações. Quando a identificação dos pais for obrigatória, esses bancos vão fechar. Os fornecedores não vão correr o risco de comprometer o destino do seu patrimônio com filhos gerados pela venda de seu esperma.
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