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Leandro Mazzini Brasília. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), declarou guerra oficialmente aos grupos políticos dos correligionários Jorge Picciani, presidente da Assembléia Legislativa do Rio, e de Anthony Garotinho, atual presidente da legenda no Estado. O racha ficou claro num encontro confidencial na noite de domingo, entre Cabral e Picciani, no apartamento do governador, na Zona Sul do Rio. O pivô é o tucano Eduardo Paes, secretário de Esporte, Turismo e Lazer do governo que, apadrinhado por Cabral, está de malas prontas para o PMDB, a fim de ser lançado candidato à prefeitura ano que vem. Picciani já avisou ao governador que vai impugnar a filiação de Paes. Garotinho e Picciani não aceitaram o nome, imposto por Cabral. Na reunião com o governador, Picciani tentou convencê-lo de que a decisão está tomada no âmbito do diretório estadual, comandado por Garotinho Ou seja, vai prevalecer a parceria com o DEM, do prefeito Cesar Maia, na qual ficou acordado que o Democratas terá a cabeça de chapa na capital, com um peemedebista como vice. Lembrou que teve apoio da maioria dos delegados - 63 votos a favor e oito contra. Cabral não recuou e afirmou que deseja lançar Paes. Em resposta a Picciani, destacou que a decisão cabe ao diretório municipal. Disse que o diretório nacional do PMDB determinou que o partido se empenhe em lançar candidatos em cidades com mais de 200 mil habitantes. Picciani rebateu, com um argumento tão forte quanto o do governador. Avisou que o diretório estadual poderá intervir no municipal. - Você filia o Paes na quarta-feira e eu vou impugná-lo na quinta - ironizou o deputado, taxativo. Ontem pela manhã, horas depois da reunião, os movimentos no PMDB indicavam que o partido se prepara para uma batalha. Cabral garantiu a Paes que a impugnação não vinga. Para aliados de Garotinho, o governador quer mostrar à população que tem forças no PMDB, mesmo que perca a chance de lançar Paes depois da convenção. Espera-se um cenário negativo para Cabral e aliados. Os cerca de 60 delegados do PMDB que vão decidir o futuro do partido nas eleições estão divididos em grupos na proporção de um terço para cada cacique: Garotinho, Picciani e Cabral. Mas, com a união dos dois primeiros, o governador fica vencido e será confirmada a chapa DEM/PMDB. Na convenção, que pode ocorrer até junho, o cenário deve mudar, dizem aliados de Cabral. - Não estou por dentro dessa história - esquivou-se o vice-governador Luiz Fernando Pezão. - Mas temos um ano para chegar à convenção. Até lá, muita coisa acontece. O secretário da Casa Civil do governo, Régis Fichtner, está confiante. - Paes será filiado e vamos até à convenção. Na contrapartida ao apoio de Cabral, Eduardo Paes prometeu levar para o PMDB pelo menos uma centena de aliados, potenciais nomes captadores de votos em todas as regiões da cidade, disseram interlocutores.
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