13 de agosto de 2007
 
Informe JB: Para Dirceu, PT está sem bandeira

Sérgio Pardellas

No que depender do ex-ministro José Dirceu, um novo Partido dos Trabalhadores emergirá das urnas este ano. Apesar de defender a reeleição do atual presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), provável candidato do antigo Campo Majoritário, corrente desgastada pelos escândalos que envolveram seus principais dirigentes nos últimos anos, Dirceu recita o discurso da renovação.

- O partido está completamente sem bandeira - reconheceu o ex-ministro durante evento de lançamento do seu novo site na internet, semana passada, em Brasília.

Para Dirceu, o PT precisa resgatar o elo com a juventude, aproximar-se da classe média e voltar a empunhar as bandeiras das reformas política e tributária, e da democratização da mídia. Na seara política, o petista promete trabalhar nos bastidores para aproximar o partido do PSB e PCdoB, embora considere a tarefa espinhosa. Em sua avaliação, as eleições municipais de 2008 serão o grande teste da coalizão governista.

- Apesar de a coalizão aprovar tudo no Congresso, não há um programa comum. Faltam regras claras - disse.

Mesmo sem o acerto de contas prometido pelo Campo Majoritário, destinado a punir de maneira exemplar os responsáveis pela grave crise ética e moral em que mergulhou o partido, Dirceu acredita que a tendência petista, depois de ganhar fôlego na correlação de forças internas, terá condições políticas para empreender as mudanças necessárias ao PT.

Berzoini, segundo Dirceu, é favorito porque o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, "não tem saúde, nem voto" para vencer; o ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, carece de apoio; e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, "nem pensa em deixar o governo".

Plano B

Aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), com o aval de setores da oposição, passaram os últimos dias tentando convencê-lo a se licenciar da presidência do Senado por 90 ou 120 dias, quando seria substituído pelo petista Tião Viana (AC).

Compensação

Em contrapartida, o Conselho de Ética aguardaria o desenlace das investigações a cargo do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as operações de venda de gado de Renan para, então, emitir seu relatório.

Volta das votações

A avaliação reinante na Casa é a de que o Senado não vota mais nada enquanto Renan, cada dia mais desgastado, estiver na presidência, fato que constrange a todos. A "saída Tião Viana" seria uma maneira de a Casa retomar o ritmo de votações.

Renan quer, mas...

Renan estaria inclinado a aceitar a proposta, mas os principais fiadores da negociação admitem: falta combinar com os russos, no caso, os relatores da investigação no Conselho de Ética, senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS).

Fim da farra

A farra das concessões de emissoras de rádios e TVs a políticos pode acabar. A deputada Luiza Erundina (PSB- SP), presidente da Subcomissão Especial de Comunicação da Câmara, vai apresentar projeto de lei tornando a prática ilegal. Segundo antecipou o JB no último sábado, pelo menos 27 dos 81 senadores são donos de rádios.

Tudo é possível

Ninguém, claro, vai admitir. Mas corre no meio publicitário que a nova campanha do Banco do Brasil Decida pelo 3 se refere, subliminarmente, a um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Efeito CPMF ?

Pressionado pelo PP, o Palácio do Planalto capitulou. Aceitou a indicação do ex-deputado Leodegard Tiscoski (PP-SC) para a Secretaria de Saneamento Ambiental, subordinada ao Ministério das Cidades. A nomeação foi uma espécie de prêmio de consolação ao partido, que estava interessado mesmo numa diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a ser ocupada pelo ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz.

Povão tungado

Na última reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), os secretários de Fazenda dos Estados decidiram simplesmente aumentar o ICMS da energia elétrica para famílias de baixa renda em 100%. Isso atingirá 17 milhões de famílias pobres. "É um crime do qual a mídia não havia se dado conta", disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). O parlamentar pedirá a seu partido para que ingresse com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a decisão do Confaz.

Recreativo, hum...

Há três anos, a boate Bahamas Club, que a prefeitura paulistana mandou lacrar por "explorar a prostituição", aparecia em informativos da Secretaria de Planejamento de São Paulo como "clube recreativo, cultural e desportivo".

[ 13/08/2007 ]   02:01