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Antônio Luiz Bianchessi, filósofo, educador, escritor e consultor Nuvens sombrias surgem no horizonte. Cientistas prenunciam catástrofes, que podem provocar o caos generalizado. A insegurança e o medo fantasioso e real impulsionam comportamentos, muitas vezes anormais e patológicos. Atitudes criminais tornaram-se rotineiras. A impunidade apresenta abrangências assustadoras e desafiadoras. Para muitos, a esperança tende a desaparecer do cardápio diário. Os desvios de conduta assolam o país e o mundo. A convivência harmonizada converte-se em privilégio de difícil acesso. Os educadores sentem o desafio e a angústia paralisantes ao atuar, diretamente, na educação. As saídas propaladas distanciam-se da realidade. Milhões não têm acesso à aprendizagem e à educação. O conteúdo tratado em sala de aula conquista diminuta atração. A miséria e a fome incapacitam avanços nos conhecimentos e na harmonização da convivência. O trabalho "escravo" de crianças que faturam alguns centavos diários para sustento da família é obstáculo vergonhoso de freqüência à escola. Surge uma questão preocupante: banalizamos as desgraças que se sucedem, continuamente? O sofrimento transformou-se em busca neurótica da felicidade? Foi endeusado? Converteu-se em culto idolátrico? O inconsciente coletivo, sempre atuante, seleciona valores prendados pelos emblemas da dor? Muitos rejeitam, conscientemente, o sofrimento. No inconsciente, porém, a adesão à dor apresenta decisão incondicional. As lamúrias indicam a manifestação explícita do "coitadinho de mim"? A presença humana sobre a Terra demonstra a capacidade destruidora da natureza. Não existe dúvida da determinação predatória dos humanos. No contexto geral, não estaremos cumprindo ordens generalizadas de nosso inconsciente coletivo? Por que uma quantidade representativa da espécie humana deleita-se, ao assistir a filmes sangüinários e a notícias de desastres, até com mortes? O egoísmo e a ganância comandam o aniquilamento da natureza, a destruição da vida e das matas, com lucros financeiros de alguns "privilegiados". O desmatamento abrange milhões de hectares, atualmente, relegados à erosão e à inviabilidade de sobrevida. O ser humano é recuperável? Poderá humanizar-se? Onde reside o problema? Somos passíveis de mudanças, apesar da carência de afeto, amor, segurança e inclusão? Parece piegas? Talvez seja a única saída para (re) assumirmos uma convivência humanizada. Afirmamos, com absoluta convicção, que o grande impasse reside na "Educação Vertical" vigente. Os comportamentos justapostos pela educação não educam, mas apenas condicionam, através de paradigmas externos. Os condicionamentos não promovem mudanças, mas, simplesmente, impingem uma máscara exigida pelos valores e conhecimentos do educador. Condicionamento é palavra "civilizada" para não dizermos adestramento. Há educadores de renome que pedem mais educação e imposição de limites. Como seria "dar mais educação"? Os limites impostos serão assumidos pelos educandos? A problemática já demonstra suas exigências. Jovens que nasceram a partir de 1978 acreditam que as alterações de valores estão acontecendo. É a geração que vive a independência. Rejeita, drasticamente, a educação através de paradigmas externos. Essa geração propaga idéias revolucionárias para implantar mudanças que julga indispensáveis e inadiáveis. Valores "sagrados" para nossa geração não representam algo relevante para esses jovens. A (re) conquista do pedestal de educadores necessita de humildade e de mudanças radicais na visão da educação do futuro próximo.
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