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Brasília. O presidente do Senado, Renan Calheiros, é o político do alto clero mais citado nos grampos telefônicos que captaram as conversas do dono da Gautama, Zuleido Veras, e de seus interlocutores, quando o tema são as obras federais em Alagoas. Num diálogo com um funcionário da Gautama, Rosevaldo Pereira de Melo, Zuleido quer demonstrar que tem intimidade com o presidente do Senado e aposta que ele não interferiria para resolver uma pendência da Secretaria de Infra-Estrutura de Alagoas. "Rose diz que para esse negócio resolver tem que pedir a Renan. Zuleido diz que Renan não pede isto. Diz que só se o nosso amigo der uma de doido, de maluco", diz o trecho da transcrição que figura no inquérito da Polícia Federal. Era 30 de junho do ano passado e, logo em seguida, Zuleido é lembrado por Fátima Palmeira de que era aniversário de Renan. Ele pede que Fátima mande telegrama de felicitações. Em fevereiro, Fátima encontra-se em Salvador e fala ao telefone com outro funcionário da empresa, Fernando, que está em São Paulo. O nome do governador de Sergipe, Marcelo Déda, surge na conversa sobre Renan. O grampo anota: "Fernando diz que, em Maceió, esteve com Renan Calheiros, ele falou que vai sair "um bilhão", para Marcelo Déda dar continuação à adutora do São Francisco (SE)... que Renan garantiu que não vai faltar dinheiro pra obra de Pratagy (Rio Pratagy) e que deverá haver ampliação...". Em junho de 2006, Zuleido recebe telefonema do funcionário da Secretaria de Obras de Camaçari Everaldo José de Siqueira Alves e ouve a recomendação de que "tenha cuidado com Olavinho, pois parece que o mesmo fica em cima". Olavinho, segundo anota o policial encarregado da escuta, é o deputado Olavo Calheiros, irmão de Renan. No dia 23 de abril do ano passado, o grampo da PF flagra uma conversa do secretário de Infra-estrutura de Alagoas, Adeilson Teixeira, e o representante do governo de Alagoas em Brasília, Eneas de Alencastro Neto. Os dois tratam de inclusão de obras de Alagoas no PAC e falam de Renan e da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil da Presidência da República. "Enéas diz que eles vão tocar a parte deles, que, se depois Renan decidir com Dilma, com quem for, decidir que a Prefeitura entra, que aí eles estão habilitados e que aí eles sentam com eles em pé de igualdade, que não senta na mão deles", diz a transcrição.
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