05 de maio de 2007
 
PSDB investiga atuação da Infraero no governo de FH

Brasília. Para não ser surpreendido, o PSDB decidiu se antecipar à CPI do Apagão Aéreo e determinou à assessoria do partido que fizesse um levantamento sobre todos os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos) na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), titular da CPI, justificou que, se encontrar algum problema, o próprio partido irá denunciar para evitar "chantagens".

O deputado negou que a intenção seja fazer um acordo com os governistas caso o PSDB encontre irregularidades na Infraero no governo FH.

- Queremos evitar a armadilha de achar que toda vez em que se pretende investigar o governo se diz que isso já existia no governo passado. Queremos ter um diálogo com a base, mas não um acordo para restringir as investigações - comentou Fruet.

O partido já levantou informações preliminares sobre os presidentes da Infraero de 1998 a 2002. Nessa lista estão os brigadeiros Adyr Silva (98), Eduardo Bogalho Pettengill (1998 a 2000), além de Fernando Perrone (2000 a 2002), primeiro civil a presidir a empresa, e Orlando Boni (2002).

Fruet apresentou ao presidente da CPI, Marcelo de Castro (PMDB-PI), uma sugestão de cronograma de trabalho que prevê inicialmente a requisição de documentos produzidos pela Polícia Federal sobre o acidente com o avião da Gol, além dos relatórios do Tribunal de Contas da União e de documentos de entidades ligados ao setor sobre a crise aérea.

A fase de apuração dos contratos da Infraero, na opinião do deputado, deve ficar para o final das investigações. A oposição suspeita que os contratos da empresa, principalmente com agências de publicidade, podem ter sido superfaturados para sustentar campanhas políticas na gestão de deputado Carlos Wilson (PT-PE).

Na época em que presidia a Infraero, o deputado era filiado ao PTB, por isso os oposicionistas não descartam que a empresa pode ter sido fonte do esquema do mensalão. O PTB foi um dos partidos que se envolveram no escândalo. A idéia de deixar para o final essa fase das investigações é estratégica. Os tucanos estão certos de que o clima ainda está muito acirrado na CPI e é preciso obter mais informações. (Folhapress)