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BRASÍLIA.Representante de portadores do vírus HIV no Conselho Nacional de Saúde, o soro-positivo José Márcio Oliveira comemorou ontem a quebra de patente do anti-retroviral Efavirenz. Em discurso durante a assinatura do decreto presidencial, disse que a medida representa a defesa da soberania do país. - É uma resposta do Brasil à epidemia de Aids. Os interesses econômicos jamais podem estar acima dos direitos à saúde e à vida - declarou Oliveira. Consultora do Ministério da Saúde, a portadora de HIV Ana Paula Prado destacou que o licenciamento compulsório do medicamento produzido pela norte-americana Merck, Sharp & Dohme é "um marco histórico". - É um passo importante na política de saúde pública do Brasil. Deixa claro que o interesse pela vida da pessoa é maior do que o interesse comercial. Os portadores de HIV presentes à concorrida cerimônia realizada no Palácio do Planalto ovacionaram o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nem mesmo o trecho politicamente incorreto do discurso do presidente, que os chamou de "infectados", estragou a festa. Os portadores de HIV riram quando o presidente disse que nem sabia falar o nome do medicamento cuja patente foi quebrada e chegaram a entoar um grito de guerra. - Brasil para frente, quebra de patente - entoaram em coro. O presidente Lula não deixou por menos. - Vocês vão continuar tendo do governo brasileiro todo o apoio necessário. Nós não abriremos mão de cuidar do nosso povo - disse Lula. - Queremos cuidar dos nossos companheiros que foram infectados com o mesmo cuidado que temos para cuidar de um pobre com o Bolsa Família.(F.X.)
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