14 de abril de 2007
 
Apenas um policial federal do Rio sabia da investigação

O grau máximo de sigilo da operação - que começou a ser preparada no dia 20 de abril do ano passado por conta de suspeitas envolvendo uma ação realizada pela PF de Niterói contra bingos e caça-níqueis na cidade - ficou evidente com a convocação de 360 agentes federais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O temor de vazamento de qualquer informação que pudesse ruir com a ação fez com que apenas um policial federal no Rio de Janeiro estivesse ciente da investigação.

De fato, o advogado Jaime Dias, ligado ao procurador regional da República preso na Bahia, fugiu na noite de quinta-feira de um condomínio na Barra da Tijuca, depois de receber quatro visitas no intervalo de meia-hora. Ele acabou sendo preso também na Bahia. Segundo um policial, a informação sobre a iminência da operação teria vazado.

Os agentes "importados" começaram a chegar na quarta-feira. Outros só chegaram na madrugada de ontem, direto para a operação. Mais de 90 Palios descaracterizados foram alugados pela PF para não chamar a atenção. Todos os agentes só souberam para onde estavam indo quando os pilotos dos aviões da Força Aérea Brasileira comunicaram que estavam pousando no Rio de Janeiro. As equipes foram informadas da ação já em solo e uma não sabia qual a missão a ser cumprida pela outra.

A operação, que transcorreu durante todo o dia, deve ter desdobramentos imediatos e pode incluir ações contra políticos e policiais civis, que não constaram na lista de presos de ontem. Os 20 ônibus contratados para o transporte dos policiais entre a Vila Militar, em Bangu, e a superintendência da PF, no Centro, estão à disposição pelo menos até segunda-feira. Vários agentes ouvidos pelo JB disseram não saber quando iriam embora.

A Operação Hurricane foi deflagrada ontem, entre outros motivos, porque era dia de pagamento a policiais e demais autoridades envolvidas. Por isso, a grande quantidade de dinheiro vivo apreendido. Três carros-fortes tiveram que ser usados para tirar o montante apreendido da superintendência da PF. Ainda não havia um balanço consolidado do dinheiro arrecadado até a noite de ontem. Os carros apreendidos, todos de luxo, valem mais de R$ 7 milhões. Pelo menos quatro fortalezas da máfia dos bingos, caça-níqueis e jogo do bicho foram estouradas. Uma delas, em Bangu, seria ligada ao contraventor Rogério Andrade, preso em Bangu 1.

Os presos seriam transferidos ainda ontem para Brasília. Eles seriam levados de ônibus até a Base Aérea do Galeão, onde embarcariam em avião da FAB para a capital federal.

Algumas ações duraram horas a fio. O bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, por exemplo, só chegou à superintendência da PF às 19h30, depois de 12 horas de buscas da polícia em sua mansão no bairro de Camboinhas, em Niterói. O presidente de honra da Beija-Flor, Anízio Abraão, teve de aguardar por mais de quatro horas a inspeção dos agentes em seu apartamento em Copacabana.