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Karla Correia Brasília. Em solenidade marcada pelo boicote de representantes do setor rural e do PMDB à nomeação de Reinhold Stephanes para a Agricultura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou ontem a posse de seus novos auxiliares para transmitir uma série de recados e rebater críticas. Animado pela revisão do cálculo do Produto Interno Bruto pelo IBGE, que elevou em 10,9% o crescimento da economia brasileira, ele cobriu de elogios o desempenho de sua equipe econômica. E disse, ao justificar a escolha dos ministros, que a coalizão que forma seu governo representa um projeto de país para os próximos 20 anos. - Se pensássemos apenas nos quatro anos, nós iríamos cometer os erros históricos que no Brasil sempre foram cometidos, de você ficar trabalhando com base em construir apenas os curativos e não fazer uma definitiva cirurgia que possa curar os males do nosso país - disse Lula, na solenidade em que nomeou Walfrido Mares Guia para a Coordenação Política, Marta Suplicy para o Turismo e Reinhold Stephanes para a Agricultura. Nenhum parlamentar da bancada ruralista prestigiou a posse de Stephanes, que também amargou a ausência de figuras importantes de seu partido, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O protesto silencioso da bancada contra a nomeação de Stephanes mereceu a atenção do presidente. - (Stephanes) não poderá permitir que o Ministério atenda apenas àqueles que gritam mais, porque milhões de agricultores neste país, que não podem vir a Brasília ou que não estão na Câmara, não podem gritar - discursou Lula. - Certamente, esses são a maioria. E nós temos que legislar e governar para todos eles. Em sua fala, Lula fez questão de lembrar antigos companheiros de governo, como José Dirceu e Antonio Palocci, que estava presente à cerimônia. Estrelas da solenidade, Walfrido Mares Guia e Marta Suplicy foram aplaudidos de pé e elogiados pelo presidente. Na avaliação de Lula, Marta teve sua competência administrativa comprovada ao passar pela prefeitura da capital paulista. - Só um doido quer governar São Paulo - brincou Lula, que creditou ao "preconceito" a derrota de Marta na eleição para o governo do Estado. Ao falar de Walfrido, Lula fez crítica velada a seu partido, que rejeitou a indicação do ministro para o Turismo, no primeiro mandato, e para a Coordenação Política, no segundo. E disse que o escolheu para o cargo por sua capacidade de relacionamento com parlamentares. - Walfrido é o ministro que mais gosta de deputado e senador. Tanto que chega a tomar café com os deputados, almoça com deputados e ainda se dá ao luxo de jantar com os deputados - elogiou Lula. A imprensa também recebeu sua cota de alfinetadas no pronunciamento do presidente. Lula comemorou a vitória eleitoral que o conduziu ao segundo mandato apesar do "massacre" relacionado ao escândalo que envolveu seu governo um ano antes da eleição. E creditou sua reeleição aos resultados de sua política social, sobretudo aos beneficiários do Bolsa Família - Essas pessoas passaram a contar na política brasileira (...) não são mais coadjuvantes que assistiam de longe os formadores de opinião dizerem o que eles tinham que fazer - declarou o presidente. - E é assim que nós precisamos construir um país onde um ser humano não precise de informação de outro para tomar a decisão em quem vai votar.
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