17 de março de 2007
 
Acesso aos arquivos da ditadura

Luiz Orlando Carneiro

Brasília. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, aproveitou a posse do novo presidente do Superior Tribunal Militar, brigadeiro Henrique Marini e Souza, para cobrar acesso amplo aos arquivos da ditadura militar.

- Precisamos conhecer em minúcias o que se passou ao tempo da ditadura, nos porões, nas guerrilhas, nos bastidores e nos tribunais - afirmou Britto, ao discursar na cerimônia em nome dos advogados. - O STM carrega, como nenhum outro tribunal, a memória de nossas fragilidades e grandezas - acrescentou.

Segundo Britto, "por ser detentor desse singular patrimônio", o STM deve compartilhá-lo com a sociedade brasileira, associando-se ao esforço para que a memória do período autoritário venha à tona.

O presidente da OAB ressaltou que não se referia a nenhum tipo de "revanchismo", até por que "a maior parte dos protagonistas nem sequer mais está viva". Lembrou ter a imprensa mencionado, recentemente, o exemplo de uma família, vítima da repressão, que requereu o desarquivamento do caso, na Corte Internacional de Haia.

- Seria constrangedor que nossa história fosse resgatada de fora para dentro - comentou Cezar Britto. - Hoje mesmo, o New York Times cobra do presidente Lula mais ousadia na investigação de crimes contra os direitos humanos no período autoritário, de 1964 a 1984.

No início de seu discurso, o presidente da OAB elogiou o STM:

- Por paradoxal que pareça, nos mais conturbados tempos do regime militar, esta Corte era um dos raros espaços institucionais em que os excessos autoritários encontravam algum limite.

Citou o fato de o STM ter acolhido o advogado Flávio Bierrembach - até ontem vice-presidente do tribunal - "que militou no Parlamento, em partido de esquerda, em frontal oposição ao regime militar - e, como advogado - notabilizou-se também pela defesa de presos políticos".