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Se o indicado para a Agricultura, Odílio Balbinotti, for dispensado, não haverá choro na bancada do PMDB na Câmara. Os verdadeiros pais do novo ministro são o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. O governador do Paraná, Roberto Requião, foi ouvido e concordou. O ex-líder José Borba foi o portador da indicação ao presidente. Dirigentes do PMDB relatam que Balbinotti era um nome absolutamente secundário das listas. O mais cotado era o ruralista Valdemir Moka. Mas quando o presidente do PMDB chegou para a conversa final com Lula, o presidente sacou do nome de Balbinotti. Na avaliação dos peemedebistas, Lula quis matar dois coelhos de uma só cajadada: agradar Blairo Maggi e dar mais uma pasta ao PMDB da Câmara. Mas a intenção principal seria tornar Maggi um articulador do governo junto ao agribusiness. Balbinotti facilitaria isso, pois já foi sócio de Maggi, a quem é muito ligado. Deputados do PMDB relatam que, além do processo sobre a utilização de um funcionário para contrair empréstimo do Banco do Brasil, Balbinotti envolveu-se em outra pendência judicial. Quando sócio de Maggi, a empresa dos dois teria utilizado, como se fossem suas, pesquisas feitas pela Embrapa com sementes. O novo ministro não seria, portanto, muito querido no órgão, que o processou para que pagasse pela utilização do estudo. Blairo Maggi já teria pago a sua parte, cerca de R$ 2,5 milhões, mas Balbinotti estaria contestando a cobrança. Ontem, quem acabou bancando a permanência do ministro foi o próprio Lula na rápida conversa que teve com Temer e outros peemedebistas. Ficou, claro, porém, que Balbinotti está "sob observação", nas palavras de um assessor presidencial, e não foi descartado um recuo, caso o noticiário do fim de semana venha pesado. Neste caso, os peemedebistas - que continuam com o nome de Moka no bolso - serão docemente constrangidos a retirar a indicação.
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