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Marcus Quintella, engenheiro Em nosso país, a erradicação da pobreza, o desenvolvimento econômico, a justiça social e o controle da violência são problemas que carecem de inteligência política para serem resolvidos, antes de qualquer outra coisa. Não consigo entender por que os políticos e governantes insistem em programas assistencialistas, obras paliativas, ações pirotécnicas e soluções temporárias, em vez de investirem nas necessidades humanas básicas, que compreendem educação, saúde, nutrição, água, saneamento, habitação, transporte e segurança. Atualmente, mais de 75% dos brasileiros residem em cidades e os problemas sociais urbanos crescem descontroladamente, sem que os governantes tomem providências eficazes e duradouras. Há anos, em todo o país, o número de pessoas vivendo em péssimas condições sociais e humanas está crescendo assustadoramente e, caso permaneçam as atuais tendências, as disparidades econômicas entre as classes altas e baixas deixarão de ser injustas para se tornarem desumanas. As elites brasileiras experimentam altos níveis de bem-estar e a maioria do povo afunda na falta de esperança e na miséria. Para constatarmos esta triste realidade, basta visitarmos as regiões Norte e Nordeste do país, além de muitos municípios do Sudeste e Centro-Oeste. A população nada entende de economia e política, mas entende de qualidade de vida, que lhe é negada há décadas por todos os governos, inclusive o atual. A população quer benefícios tangíveis e não anúncios oficiais na TV de que o país está crescendo ou crescerá, se ninguém vê onde isso está ocorrendo ou sente melhoria da qualidade de vida. Existe muita gente desempregada ou subempregada, sem casa própria, com esgoto na porta de casa, sem água encanada, sem transporte, fazendo, quando muito, uma refeição por dia, com contas atrasadas e problemas de saúde, tendo de trabalhar mais de 12 horas por dia e no final do mês nada sobra e a situação piora com dívidas eternas. Enquanto isso, a mídia mostra os escândalos no Congresso, o jogo de números da economia, as estradas apodrecendo, os assaltos aos cofres públicos, as sonegações tributárias, a impunidade de bandidos, políticos e poderosos, as representações dramatúrgicas dos políticos diante das câmeras de TV, os mensalões esquecidos, a corrupção generalizada no país, as falsidades das promessas, a proteção hipócrita e indecente aos menores infratores e os inconcebíveis privilégios e atenuantes aos assaltantes, seqüestradores e assassinos. E tudo isso com o dinheiro público, ou seja, com aquela absurda carga tributária que é sugada mensalmente do salário do trabalhador e da economia. O país jamais crescerá e se desenvolverá sem investimentos em infra-estrutura e nas necessidades básicas da população e, principalmente, sem segurança pública. Penso que os políticos e governantes brasileiros deveriam refletir e perceber que, de forma pouco inteligente, estão atirando em seus próprios pés e expondo suas famílias e o povo brasileiro aos resultados de suas atitudes e decisões interesseiras, desumanas, egoístas e duvidosas. Caso investissem no bem-estar e na segurança da população, os próprios políticos, suas famílias e amigos seriam os maiores beneficiados e poderiam, assim, usufruir de suas riquezas, sem infortúnios, assaltos e seqüestros. Somente desta forma, nós, cidadãos de bem e pagadores de tributos, conseguiríamos uma vida melhor e mais segura. Trata-se de uma simples questão de inteligência política, caso isso seja possível.
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