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Washington. Dois dias antes da visita do presidente George Bush ao Brasil, o Departamento de Estado norte-americano divulgou ontem seu relatório anual sobre direitos humanos no mundo, no qual acusa integrantes das forças de segurança brasileiras - principalmente as estaduais - de praticarem "inúmeros e sérios" abusos, além de criticar a Justiça. O capítulo dedicado ao Brasil assinala que, entre as violações dos direitos humanos, foram registrados espancamentos, abusos e tortura de detentos e inimigos da polícia e dos agentes de segurança penitenciária. Diz ainda que as péssimas condições das prisões e a excessiva demora nos julgamentos contribuem para o abuso dos direitos humanos no país. O relatório lista outros problemas como a violência e a discriminação contra mulheres, crianças e índios, pessoas com deficiência, o tráfico de pessoas e o trabalho infantil. E critica a impunidade. - Na maioria dos casos, violadores dos direitos humanos passam impunes pelos crimes que cometeram. O Departamento de Estado analisou também as polícias nos diversos Estados brasileiros. No Rio, segundo o governo norte-americano, dados de órgãos nacionais permitem concluir que, durante o ano, aproximadamente 3 mil pessoas foram mortas pela polícia. Em São Paulo, diz o relatório, 328 civis foram mortos pelas polícias civil e militar nos primeiros seis meses do ano passado. E desses mortos, 31 teriam sido vítimas de policiais fora de serviço. Na segunda-feira, a atuação do Brasil na defesa dos direitos humanos nos últimos anos também foi criticada pela Anistia Internacional. A entidade considera que "pouco ou quase nada" foi feito para acabar com a discriminação social, a corrupção do sistema de segurança pública e as violações de direitos humanos no país. A Secretaria de Direito Humanos da Presidência informou que não ia comentar o relatório por se tratar de um documento unilateral. O relatório do Departamento de Estado reconheceu, pela primeira vez, que os Estados Unidos cometem falhas em matéria de Direitos Humanos, sobretudo no que diz respeito à guerra contra o terrorismo.
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