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Karla Correia n brasíliaO Palácio do Planalto vai tentar, na próxima semana, emplacar no Congresso sua versão da reforma política. Na tentativa de tirar da proposta o carimbo do governo, o ministro da Coordenação Política, Tarso Genro, entregará aos presidentes da Câmara e do Senado não um projeto de lei, mas um "estudo" endossado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). O ministro chegou a incluir conversas com partidos de oposição na estratégia de descolar o Planalto da proposta, mas o Legislativo promete resistir à interpretação do governo sobre reforma política. - Vamos nos orientar por aquilo que a Câmara produziu. Qualquer sugestão da sociedade será encarada como sugestão. Nunca esteve em questão pegar qualquer proposta e transformá-la em projeto de lei - disse ontem o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ao anunciar que colocará na pauta da Casa, na próxima semana, projeto de reforma política de autoria do deputado Rubens Otoni (PT-GO). O texto de Otoni inclui todos os pontos que o governo quer ver aprovados pelo Congresso: o financiamento público de campanhas, a fidelidade partidária, com punições para os políticos que trocarem de partido, e o voto em listas fechadas, que reserva ao partido a prerrogativa de escolher os candidatos eleitos com os votos destinados à legenda. Com uma pequena modificação, para agradar aos colegas, o projeto de lei que será colocado em pauta na próxima semana assegura aos deputados os primeiros lugares na lista partidária, ordenados pelo número de votos obtidos na última eleição. Ainda assim, Arlindo Chinaglia admite que dificilmente a reforma política será aprovada a curto prazo. A inclusão da matéria na pauta do plenário da Câmara servirá para reativar a discussão, cara ao governo. Dentro do Planalto, o debate já é considerado uma vitória do presidente Lula. Segundo interlocutores do presidente, Lula comemorou a parceria com a OAB na elaboração do estudo sobre reforma política. A Ordem, que esteve quase para enviar ao Legislativo pedido de impeachment contra Lula, agora é aliada do Palácio na discussão da reforma política - tema pregado na campanha presidencial como uma panacéia para os males éticos do governo e dos partidos. Quarta-feira, quando levará o documento aos presidentes da Câmara e do Senado, Tarso Genro terá a seu lado o presidente da OAB, Cezar Britto. No Planalto, essa proximidade é considerada como símbolo da volta por cima de Lula.
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