23 de janeiro de 2007
 
Paulistas pedem medidas para baixa da taxa de juros

Nanci Santana

São Paulo. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem que ser complementado com uma redução da taxa de juros compatível com a meta de maior crescimento da economia - de 4,5% em 2007 e de 5% nos próximos três anos - avalia a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Segundo o presidente da entidade, Paulo Skaf, a Fiesp considerou o programa positivo, na medida em que contempla a desoneração do setor produtivo e aumento do investimento público, que concorrerão para um maior crescimento econômico.

Ele ressaltou, porém, a necessidade de articulação dessas medidas com uma queda contínua da taxa de juros básica da economia (Selic) de 0,5 ponto percentual em todas as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) neste ano - o que levaria a taxa de juros nominal para 9% ao final de 2007 e significaria juros reais em torno de 6% no mesmo período.

Skaf sugeriu que o Banco Central reduza a Selic em magnitude maior que 0,5 ponto percentual na reunião de amanhã, para sinalizar que o crescimento econômico é a prioridade do governo.

- Fala-se muito na questão da Previdência, mas o maior gasto público dos últimos dois anos foi com o pagamento de juros - de R$ 150 bilhões por ano durante o primeiro mandato do presidente Lula - disse Skaf, ressaltando a importância de se perseguir uma meta de superávit nominal (que inclui os gastos com juros), o que, finalmente, faz parte dos planos do governo. Uma das metas do PAC é atingir déficit nominal próximo a zero (-0,2%) em 2010.

Outro ponto do programa que deveria merecer mais atenção do governo, de acordo com a Fiesp, é o aumento do crédito para as empresas.

- Houve aumento de crédito para pessoa física, mas para as empresas não aumentou nada- reclamou Skaf, observando a ausência de medidas em relação aos compulsórios e spreads.

O presidente da Fiesp ressaltou, porém, que o governo não anunciou diminuição dos gastos públicos na amplitude desejada, e defendeu um choque de gestão que incluiria não apenas o controle dos gastos com a Previdência, mas administração mais eficiente dos ativos públicos.

- As medidas são bem vindas, mas insuficientes para acelerar o crescimento rumo ao mesmo patamar de outros países emergentes - disse o diretor do departamento de economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof.

Em sua opinião, o programa tem um alcance limitado, na medida em que as desonerações contemplam apenas alguns setores. Para o grosso da economia, haverá efeitos indiretos, mas sem que isso provoque aumento significativo na agricultura e indústria, ressaltou.