23 de janeiro de 2007
 
Governadores ficam divididos

Sérgio Pardellas

BRASÍLIA.O pacote anunciado pelo presidente Luiz inácio Lula da Silva dividiu os governadores. Os que representam partidos de oposição, embora tenham avaliado o PAC como boa iniciativa, se queixaram da renúncia fiscal de R$ 6,6 bilhões neste ano, com previsão para alcançar R$ 11,5 bilhões em 2008. A renúncia fiscal implica em redução na arrecadação dos chamados impostos compartilhados entre a União e os Estados, como o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e o Imposto de Renda (IR). Os oposicionistas reclamaram ainda que o governo não os consultou previamente.

- Apresentaram o prato feito, dizendo "olha, tá aqui". As medidas são boas, mas perdeu-se a oportunidade de estabelecer mais confiança no relacionamento - comentou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), apontou suas baterias em direção à redução de receita do IPI e do IR, prejudicial, segundo o tucano, aos Estados do Nordeste e do Norte.

- Nós podemos perder receita, o que anula qualquer esforço de crescimento. De novo, os investimentos só contemplarão as regiões mais ricas.

Segundo Cunha Lima, a renúncia fiscal para o Norte e o Nordeste pode chegar a R$ 3 bilhões.

- Não fomos convidados para o banquete, mas fomos chamados para pagar a conta - criticou o governador da Paraíba.

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), prometeu fazer a "lição de casa" mesmo sendo integrante da oposição.

- Não é porque sou governadora de um partido de oposição que vou criticar um programa para destravar o crescimento - ponderou.

Os governadores aliados ao presidente Lula exaltaram as medidas anunciadas.

- O programa está absolutamente correto, dentro da estratégia de desenvolvimento do país, até porque não dá pra resolver tudo em tão pouco tempo - disse o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Cabral considerou que o Rio de Janeiro foi bem contemplado no pacote e se mostrou disposto a celebrar parcerias com a iniciativa privada para dar impulso às medidas do PAC.

Jaques Wagner, governador petista da Bahia, defendeu a renúncia fiscal.

- A moeda nunca tem só um lado. A renúncia é boa porque atende a uma demanda do setor produtivo para investir mais e reduzir custos.

Dos 27 governadores, 25 participaram de encontro reservado com o presidente Lula e também da solenidade de anúncio do pacote. Só não compareceram os governadores de Santa Catarina, Luis Henrique (PMDB), e de Roraima, Otomar Pinto (PSDB).