19 de janeiro de 2007
 
Acidente ou tragédia anunciada?

O Ministério Público de São Paulo investiga há nove meses problemas em casas provocados pelas obras da estação Pinheiros da linha 4 do metrô e resolveu fazer uma perícia paralela sobre as causas do desabamento de sexta-feira passada. Promotores, peritos e o procurador Rodrigo Pinho vão inspecionar o local hoje. Os MP investiga as obras desde abril do ano passado, quando dez casas a 500 metros da cratera foram interditadas porque tinham rachaduras.

Os promotores querem saber, entre outras coisas, porque a linha 4 ficou 20 dias sem licença ambiental, que venceu no dia 19 de dezembro e só foi renovada no dia 9 de janeiro. Além disso, já falam em imperícia e apontam possíveis falhas na execução do projeto, sob responsabilidade de um consórcio formado pelas maiores empreiteiras do Brasil.

A perícia oficial será feita pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e só deve começar depois que o trabalho de resgate estiver concluído. Ontem, o microônibus foi finalmente retirado da cratera e os bombeiros resgataram mais dois corpos: o do cobrador da van, Wescley Adriano da Silva, e o do motorista, Reinaldo Aparecido Leite. No total, desde sexta-feira, cinco corpos foram localizados.

As famílias dos passageiros do microônibus da Transcooper serão indenizados em R$ 100 mil pela cooperativa. A empresa diz que as indenizações são referentes a danos morais e materiais. Já as famílias do motorista e do cobrador receberão R$ 29 mil cada.

Diante da possível demora no pagamento das indenizações pelo consórcio Via Amarela, o governador de São Paulo, José Serra, estuda a possibilidade de antecipar os pagamentos às famílias das vítimas. Serra ressaltou que cabe ao consórcio, responsável pela construção da linha 4 do metrô, o cumprimento das ações indenizatórias. No entanto, se demorar, o governo pode antecipar e descontar do pagamento das empreiteiras.

O governador confirmou ainda que o Metrô suspendeu os pagamentos ao consórcio.

- À medida que essa obra já não existe, não se poderia pagar a medição dela. E as faturas chegam misturadas. Houve a suspensão para fazer a separação.

Segundo técnicos da Defesa Civil de São Paulo, as conseqüências do acidente poderiam ser reduzidas, caso houvesse um plano de contingência que deveria prever o isolamento das áreas afetadas pelas obras do metrô.

As quase 120 pessoas que foram desalojadas por conta do desabamento ainda devem esperar uma semana para voltar para casa. Os imóveis interditados só serão liberados após o desmonte da grua que está pendurada à margem da cratera aberta pelo acidente.