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Juliana Rocha A CPI dos Sanguessugas vai investigar a possibilidade de a maior empresa brasileira, a Petrobras, ser uma das financiadoras da suposta tentativa de petistas de comprar um dossiê contra políticos tucanos nas vésperas do primeiro turno das eleições. O vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungman (PE), do recém-criado partido MD, afirmou ontem que há uma conexão entre os envolvidos no escândalo do dossiê e um gerente da empresa. Jungmann confirmou que a quebra de sigilo pedida pela CPI mostrou 20 telefonemas do ex-petista Hamilton Lacerda, um dos responsáveis pela tentativa de compra do documento, para o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa, entre os dias 2 de agosto e 14 de setembro. Gedimar Passos e Valdebran Padilha, que efetuariam a compra do dossiê, foram presos no dia 15 de setembro com R$ 1,7 milhão em notas de dólares e reais. - Se for confirmada a ligação da Petrobras neste caso, será escandaloso - comenta Jungmann. - O aparelhamento do Estado na empresa já é um absurdo. Mostra como são promíscuas as relações do governo. Procurada, a Petrobras não comentou a proximidade entre Santarosa e Lacerda, nem uma possível convocação para diretores e gerentes deporem na CPI. Em nota divulgada à imprensa, a empresa negou favorecimento no patrocínio de ONGs ligadas ao PT e a movimentos sociais que apoiaram a campanha à reeleição do presidente Lula. Este é mais um capítulo dos escândalos envolvendo a estatal que surgiram neste fim de semana. Na mesma nota, a Petrobras defendeu-se da acusação de que teria feito convênio com a Associação de Engenharia Industrial (Abemi) para capacitação de 70 mil funcionários, sem licitação. Alguns associados da Abemi, do setor de engenharia, foram doadores de campanha de petistas. A empresa justificou que a legislação prevê a dispensa de licitação porque se trata de convênio e não um contrato. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, não quis comentar o assunto. O secretário estadual de energia, indústria naval e petróleo, Wagner Victer, defendeu a Petrobras. Antigo desafeto do governo federal e crítico de decisões da empresa, Victer afirmou que é favorável a convênios de capacitação de funcionários sem licitação. Garante que a Abemi tem experiência para promover os cursos. Apesar da defesa, Victer não perdeu a oportunidade de fazer uma crítica. Ressaltou que, nos oito anos em que esteve à frente da secretaria, nunca contou com o apoio da Petrobras nessa empreitada. - Abrimos escolas até em estaleiros - disse o secretário, que será presidente da Cedae no governo Sérgio Cabral, novo aliado do governo federal e de Lula. (Colaborou Vagner Ricardo)
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