25 de julho de 2008
 
Obama pede que muros não separem EUA de aliados

McCain ironiza sucesso do rival: "Eu preferia discursar como presidente"

Num discurso para 200 mil pessoas em Berlim, cidade que simbolizou a Guerra Fria, o pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu para o perigo de se "permitir que novos muros se levantem entre os Estados Unidos e aliados". Foi uma referência principalmente à tarefa de levar estabilidade ao Afeganistão, mas também se aplica a desafios como as mudanças climáticas e a proliferação da tecnologia nuclear.

– Cidadãos do mundo, olhem para Berlim, onde um muro caiu, um continente se uniu, e onde a História provou que não há desafio difícil para um mundo que se levanta em unidade.

Falando para uma entusiasmada multidão ao lado da Coluna da Vitória, Obama afirmou que os EUA não contam com nenhum parceiro melhor do que a Europa.

– Ninguém gosta da guerra. Reconheço as enormes dificuldades existentes no Afeganistão – disse. – No entanto, meu país e os países de vocês têm o interesse de ver a primeira missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fora das fronteiras européias ser bem-sucedida. Para a população do Afeganistão e para nossos interesses compartilhados na área de segurança, essa missão precisa ser cumprida. Os EUA não podem realizar isso sozinhos.

Os meios de comunicação alemães compararam a visita do ele à do presidente John F. Kennedy, em 1963, quando disse a famosa frase: Ich bin ein Berliner (Eu sou berlinense).

Ao contrário de Kennedy, Obama não falou nada em alemão. Mas discorreu longamente a respeito dos laços históricos entre os EUA e a Alemanha, referindo-se à ponte aérea criada para abastecer Berlim há 60 anos e à queda do Muro.

– O colapso do Muro de Berlim renovou nossas esperanças. Mas essa mesma aproximação gerou novos perigos – salientou. – Nenhuma nação, independente do quão grande ou poderosa seja, conseguirá derrotar tais ameaças sozinhas.

De Ohio, nos EUA, o pré-candidato republicano, John McCain, ironizou o rival:

– Eu adoraria fazer um discurso político ou que interessasse aos alemães. Mas preferia fazer isso como presidente dos EUA.

Um porta-voz da campanha republicana também fez críticas ao pré-candidato democrata:

– McCain dedicou sua vida servindo, melhorando e protegendo os EUA. Barack passou uma tarde só falando sobre fazê-lo.

Segundo Obama, a Europa e os EUA também precisam ficar lado a lado para enviar uma mensagem clara ao Irã, convencendo-o a abandonar suas ambições nucleares. Devem, ainda superar suas diferenças a respeito da guerra no Iraque a fim de ajudar os iraquianos a reconstruírem seu país.

– Sim, houve divergências entre os EUA e a Europa. Sem dúvida, haverá divergências no futuro – disse. – O maior perigo de todos é permitir que novos muros nos separem uns dos outros.

As relações entre os EUA e a Alemanha atingiram o nível mais baixo desde o pós-Guerra com o governo de Gerhard Schröder, que se opôs fortemente à invasão ao Iraque, liderada pela administração George Bush em 2003.

Milhares de alemães, alguns deles usando broches, camisetas com o slogan Yes We Can (Sim, podemos) e segurando balões de campanha, aplaudiram o democrata.

– Ele é um político pop star – definiu o estudante Johannes Ellendorf. – Não temos muitos destes na Alemanha.

Matthias Bauschulte, de 40 anos, contou que gostou muito da "mensagem de paz, de que não devemos nos concentrar em conflitos menores entre os dois países".

Obama aproveitou o dia para reunir-se também com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Cerca de 700 policiais participaram da operação de segurança montada em torno da Coluna da Vitória, uma construção de 70 metros de altura erguida para celebrar as vitórias militares da Prússia sobre a Dinamarca, a França e a Áustria.

McCain disse que se encontra regularmente com os líderes europeus com os quais Obama conversou durante a viagem.

[ 25/07/2008 ]   02:01