14 de novembro de 2007
 
A Justiça tarda, e como tarda

Marcos Eduardo Neves

Em 13 de novembro de 2006, São Januário viveu um dia nebuloso. Na ocasião, o pleito eleitoral foi eivado por flagrantes desrespeitos e indícios de fraudes. Um arquiteto que não pagava a taxa de manutenção havia mais de um ano, ao quitar uma única mensalidade, pôs seu voto na urna. Um jornalista inadimplente havia doze anos também votou. Por essas e outras irregularidades, o Movimento Unido Vascaíno (MUV) realizou ontem à tarde, no aniversário da polêmica eleição, um protesto em frente ao Tribunal de Justiça. Cobrou mais agilidade e uma solução final para a batalha jurídica.

Os integrantes da oposição se reuniram ainda com o desembargador José Carlos Murta Ribeiro, presidente do Tribunal de Justiça. A ele foi entregue um dossiê e uma carta a rogar maior rapidez nos tramites.

- Nas ruas me cobram o tempo inteiro a que pé está esse processo - reclama Roberto Dinamite, antigo ídolo e candidato à presidência pela oposição. - A Justiça precisa fazer justiça ao que está nos autos.

Segundo Luiz Américo Chaves, diretor jurídico do MUV, a reunião com Murta Ribeiro foi proveitosa.

- Ele nos assegurou que a casa, no caso, o Tribunal de Justiça do Rio, é isenta. E disse que não é normal que um processo tão importante fique tanto tempo parado. Como apenas relatamos os fatos ocorridos, confiamos na Justiça e na Corregedoria. O presidente do TJ ficou de ligar para quem de direito, para que o processo volte a correr.

O protesto organizado aconteceu devido à demora do julgamento de um mandado de segurança que há dois meses não é votado pelo relator designado, o desembargador Salim Chalub. Procurado, sua assessoria de imprensa anotou o telefone da redação e disse que "se ele quiser se pronunciar, retornará". Tal ligação não aconteceu até o fechamento desta edição.

Além da seriedade do objetivo pretendido pelo MUV em conjunto com a chapa Por Amor ao Vasco, houve ontem, no Centro, uma animada manifestação popular. Que contou com uma estátua viva, de olhos vendados, representando a justiça, além de um clone de Eurico Miranda e cédulas falsas para quem quisesse votar na situação. Cerca de 350 assinaturas foram levantadas contra a permanência do atual presidente interino no poder.

- O Vasco tem que ser mais democrático - reclamava o estudante Daniel Silva, de 18 anos. - A política do clube está muito centrada no Eurico. Isso tem que mudar.

O presidente do MUV, José Henrique Coelho, chegou a citar o elenco atual para elucidar a crise, o caos em que se encontra o Vasco.

- Aos vascaínos contrários a Abudas e Eníltons, não seguirei a escalação, porque nos últimos sete anos foi dureza torcer.

Ex-jogador de vôlei, o oposicionista Fernandão achou válido despertar a atenção do povo.

- O clube está acabando graças a um pilantra que há anos não deixa a presidência - vociferou. - Não existe mais esporte olímpico e o futebol do Vasco é uma bagunça.

Muitas músicas foram cantadas durante a manifestação. Uma dizia "Vou torcer pro Eurico ir pra prisão; roubou o Vasco; muito ladrão. Contra o Dinamite, roubou geral; mas que vergonha; cara de pau".

Presidente do sindicato dos advogados e conselheiro da OAB, Sérgio Batalha foi firme e direto.

- É um absurdo que o poder judiciário compactue com qualquer tipo de manobra. Isso arranha a imagem da instituição.

O trabalho do MUV é evitar que o imbróglio se arraste até 2009, data de um novo pleito. Decidido o mandado de segurança, o efeito suspensivo da sentença que adiou a realização da nova eleição, que ocorreria em 16 de maio, será enfim julgado na 8ª Câmara Cível.

Sem pressa alguma, o vice-presidente jurídico do Vasco, Paulo Reis, declarou, ainda que de forma concisa, que espera o tramite.

- Não falo sobre esse assunto - respondeu o advogado. - Aguardo apenas a Justiça marcar a pauta.

[ 14/11/2007 ]   02:01