25 de julho de 2008
 
Paes visita drama do Miguel Couto

Candidato critica prefeito e promete 60 consultórios para atender 50 mil pessoas

Cláudia Dantas

O comerciante Antonio Carlos Gonçalves, de 45 anos, acabara de deixar um funcionário e a mãe dele, doente, na porta do Hospital Miguel Couto, no Leblon. A idosa teve prioridade na fila de emergência de mais de 100 pessoas, que esperavam havia mais de duas horas por um atendimento. Dentro do hospital, encontrava-se o candidato a prefeito Eduardo Paes, da coligação PMDB-PP-PSL-PT, que ouvia da diretora da unidade, Solange Matos, uma descrição detalhada do descaso com a saúde pública no Rio.

A missão do futuro prefeito na cidade é árdua. Terá de administrar as superlotações nos hospitais públicos, os problemas de uma nova epidemia de dengue, o trânsito, a favelização e a violência urbana. Essas são algumas das críticas feitas pelo comerciante Antonio Carlos na porta do hospital, enquanto esperava por notícias da mãe de seu funcionário.

Antonio Carlos comparou o Rio com Curitiba (PR), cidade que visita regularmente e que ganha disparada em sua avaliação.

– Em Curitiba, tudo funciona. No Rio, falta vontade política. É preciso fazer um governo que pense a longo prazo, os políticos só querem mexer nas coisas emergenciais – criticou o comerciante.

Consultórios de família

Paes propôs ampliação do programa Saúde da Família. O candidato pretende criar 60 consultórios de família, que vão trabalhar em três turnos e dar atendimento a até 50 mil pessoas na cidade.

– O propósito é oferecer o atendimento preventivo, como clínico geral ou pediatra – explicou o candidato. – O consultório vai abrir mais cedo e fechar mais tarde para atender a população que perde muito tempo no deslocamento da casa para o trabalho e vice-versa e não consegue ir ao médico.

Além dos consultórios, Paes também quer inaugurar mais 40 Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) em parceria com o Estado, e reforçou que elas vão diminuir bastante a demanda nos grandes hospitais.

– A própria diretora do Miguel Couto já percebeu a redução no atendimento de emergência, e ela credita às UPAs – lembrou Paes.

O candidato ressaltou que é preciso acabar com o que chama de "turista sanitário". Trata-se da população fica de hospital em hospital para receber atendimento.

– Saúde será prioridade zero zero em meu governo – prometeu, ao criticar o prefeito Cesar Maia pelo descaso com a saúde pública no Rio e pelas "desculpas" por não ampliar o programa Saúde da Família.

Mais cedo, o atual prefeito também havia disparado contra o candidato, seu ex-pupilo nos tempos do primeiro mandato do alcaide, quando Paes era subprefeito da Barra e de Jacarepaguá.

Cesar o apelidou de candidato da especulação imobiliária, e o acusou de esquecer os idosos e os jovens. Até parodiou seu nome: "Eduardo Garotinho Paes".

O candidato não quis comentar as declarações do prefeito, e limitou-se a dizer que tanto Cesar quanto ele sabem que sobe nas pesquisas e estará no 2º turno.

No fim do dia, o resultado da pesquisa do Datafolha elevou o candidato ao terceiro lugar.

[ 25/07/2008 ]   02:01