25 de julho de 2008
 
Matérias-primas em alta ajudam exportações do Rio

Volume exportado salta de 8,6% para 10,9% do total do país, diz Firjan

Eloisa Leandro

As indústrias do Rio passam por uma ótima fase no mercado de exportação. O levantamento do primeiro semestre atingiu recorde com um crescimento de 31,5% sobre o mesmo período de 2007, com um volume total de US$ 7,769 bilhões. O papel do Estado nas exportações do Brasil subiu de 8,6% para 10,9%, comparando o percentual do ano passado. Neste semestre, o Brasil registrou acúmulo de US$ 90,6 bilhões contra US$ 73,2 bilhões no mesmo período do ano passado. Os números estão no Boletim Exporta, divulgado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A boa relação do mercado fluminense com o exterior foi impulsionada pelas cotações das commodities, que subiram 56,2%, e principalmente pela maior delas, o petróleo, que disparou 226,8% até junho.

O estudo mostrou ainda que as importações apresentaram um crescimento mais acelerado com acúmulo de US$ 6,371 bilhões, ou seja, um aumento de 53,3% %. A balança comercial também bateu em alta e ficou com saldo positivo em US$ 1,397 bilhão.

No último mês, o crescimento das exportações e importações ficou mais evidente, atingindo US$ 2,029 bilhões e US$ 1,413 bilhão, respectivamente. Os recordes representaram alta de 261,8% batendo a um saldo de US$ 615,1 milhões.

O saldo positivo das exportações não se restringe apenas ao petróleo. Segundo o chefe do setor de Pesquisa Econômica da Firjan, Patrick Carvalho, outros setores foram fundamentais para o posicionamento da indústria fluminense com o mercado externo.

– O petróleo é tão volumoso na economia que ofusca os demais setores. A borracha teve alta no acumulado do ano com 82% puxada pela expansão da fábrica de pneus da Michelin, em Itatiaia. A indústria química também teve ótimo desempenho, com 38,5% de alta – explica Patrick.

Entretanto, o especialista alerta para o crescimento do petróleo devido aos constantes reajustes no preço do barril. Carvalho acredita que a tendência do segmento é crescer impulsionado pela produção industrial e pela operação de novas plataformas da Petrobras.

Recuperação do mercado

– A tendência é crescer ainda mais. O acumulado do setor bateu a 2%, enquanto no ano passado o percentual foi negativo por causa de plataformas desativadas – avalia. – Em junho, o acumulado marcou recorde por causa do volume estocado devido à greve dos auditores, em abril e maio.

O petróleo superou a venda nos últimos 12 meses, atingindo US$ 10 bilhões com US$ 1,597 bilhão só em junho. Outro destaque vai para os óleos combustíveis que bateram um crescimento de 147,5% na receita cambial, um avanço de 224% da indústria extrativa mineral.

Os produtos básicos responderam pela maior parte das exportações com 64%, seguido pelos bens manufaturados (28,1%).

Em contrapartida, os setores da metalúrgica e mecânica recuaram nas exportações, mostrando os desempenhos mais baixos na pesquisa. O crescimento da demanda interna foi apontado como o principal fator pela redução da exportação dos setores.

– A metalúrgica e mecânica estão trabalhando com as capacidade aquecidas, mas o crescimento da demanda interna fez com que sobrasse pouco para exportação –esclarece Patrick Carvalho.

O efeito foi positivo com as importações que dobraram o volume em junho (98,2%), em relação ao mesmo período de 2007.

[ 25/07/2008 ]   02:01