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Rivadavia Severo
BRASÍLIA
O governo voltou a apostar nas usinas nucleares como opção à falta de oferta de energia para abastecer a crescente demanda do insumo no país. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, empresa ligada ao Ministério de Minas e Energia, defende a retomada do Programa Nuclear Brasileiro que tem a usina de Angra 3 como ponta de lança.
– As usinas nucleares são seguras e não emitem gás carbônico que causa o efeito estufa – ressalta ele.
Segundo Tolmasquim, a energia nuclear tem que ser vista como uma opção estratégica para o país. Ele alega que temos que olhar no longo prazo, no horizonte de 25 anos, quando as opções para hidrelétricas se tornarem mais escassas.
– Hoje, as termelétricas são competitivas funcionando de forma complementar. Mas se ficarem ligadas o tempo todo elas ficam bastante caras e aí a nuclear passa a ser mais competitiva. Então é fundamental implementar as nucleares – argumenta Tolmasquim.
Os estudos da EPE indicam que nos próximos 25 anos o país vai necessitar de mais 130 mil megawatts (MW), hoje são gastos cerca de 100 mil MW. Desses 130 mil MW, 88 mil MW virão de hidrelétricas e o restante de outras fontes, inclusive nuclear, mas de forma minoritária, adverte o estudo.
A Eletronuclear, estatal responsável pelos projetos brasileiros de energia nuclear, calcula que o custo de Angra 3 será de R$ 7 bilhões. A obra estará a cargo da construtora Andrade e Gutierrez. Parte dos equipamentos que serão usados na obra foram comprados em 1999. Na época, os equipamentos custaram US$ 750 milhões. O governo gasta cerca de US$ 20 milhões por ano só para manter essas máquinas em condições de uso, além de pagar seguro, inspeções e outros custos operacionais.
As usinas de Angra 1 e Angra 2 têm capacidade instalada para produzir 2 mil MW e respondem por 1,9% da matriz energética brasileira. Quando Angra 3 estiver operando com capacidade instalada de 1.350 MW, em 2014, caso cumpra todas as exigências até obter a licença de operação, a previsão é de que as três usinas nucleares respondam por 2% da matriz nacional. Isso porque outras fontes de energia também serão ampliadas, como demonstra o estudo da EPE.
Outras oito usinas
Além de Angra 3, a Eletronuclear anunciou que vai começar este ano a analisar a instalação de pelo menos mais quatro centrais nucleares. No total, o programa nuclear brasileiro prevê a construção de outras oito nucleares no país, além da terceira unidade de Angra.
A retomada desse programa faz parte da estratégia de diversificação da matriz energética brasileira, decisão tomada ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso. O governo vem reduzindo a dependência das hidrelétricas para evitar que a falta de chuvas cause um novo apagão como o de 2001, quando 97% da matriz do país era de fontes hidrelétricas. Hoje esse percentual é de 80%. Cada vez que o nível dos reservatórios se aproxima do patamar de risco, as usinas térmicas são acionadas para poupar a água dos reservatórios. Isso eleva o preço da energia, porque o combustível usado para acioná-las é mais caro do que a água, mas garante que o nível dos reservatórios não chegue a patamares críticos.
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