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O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, disse que o aumento mais forte da taxa de juro pode ser estratégia do Banco Central para encurtar o processo de aperto monetário, que comprometerá o ritmo de crescimento da economia em 2009.
– O BC deve ter avaliado que uma pancada mais forte pode encurtar o tempo de luta contra a inflação – afirmou o ministro, durante evento no Rio. – Mas essa política de juro vai afetar o crescimento do ano que vem.
No início do mês, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que faria de tudo para trazer a inflação de volta ao centro da meta já em 2009.
– A reunião do Copom ontem deu sinal claro de que o governo, principalmente o BC, não está para brincadeira com a inflação – acrescentou Bernardo.
A meta de inflação perseguida pelo BC em 2008, 2009 e 2010 é de 4,5%, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que baliza a política de metas – acumulou nos últimos 12 meses até junho alta de 6,06%, e analistas já apostam que o índice acumulará no ano avanço de 6,53%, e vai superar o teto da meta pela primeira vez desde 2003.
Crescimento menor
Apesar de se mostrar favorável à postura mais agressiva do BC contra a inflação, o ministro reconheceu que o aperto monetário terá efeito negativo sobre a taxa de crescimento do país no próximo ano.
Em 2008, Bernardo disse que a economia brasileira pode crescer a uma taxa superior a 5%, mas a expansão de 2009 será freada pela política do BC.
Bernardo afirmou que o ritmo de expansão do primeiro trimestre – de 5,8% – foi "muito forte" e que pode ter acelerado no período de abril a junho.
– Tudo indica que foi até melhor, e podia ter crescido na faixa de 6% – disse o ministro do Planejamento. – Nossa aposta é que vamos ter crescimento de 5%, talvez até passe disso em 2008.
O economista Salomão Quadros, responsável pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) da Fundação Getúlio Vargas, disse que a medida do BC foi necessária para diminuir a inflação e atuou na hora certa.
– A inflação é mais alta do que se previa há dois ou três meses. E para reverter a situação, o BC percebeu que aumentar em 0,5% não ia resolver, já que a alta dos preços cresceu rapidamente – disse Quadros.
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