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Viviane Monteiro Brasília O Banco Central anunciou ontem que o Brasil se tornou credor externo, pela primeira vez na história econômica do país. Isso significa que o Brasil seria capaz de pagar toda a dívida externa apenas com as aplicações que tem no exterior, o que sinaliza menor dependência dos fluxos internacionais de capital. E ainda sobrariam US$ 4 bilhões, de acordo com o relatório de Indicadores de Sustentabilidade Externa do Brasil - Evolução Recente, divulgado pela autoridade monetária. O juro praticado nas operações de crédito para pessoa física tende a ficar mais baixo por causa do menor custo que o Tesouro Nacional terá para a venda de títulos da dívida pública. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a passagem do Brasil de devedor para credor reforça a possibilidade de o país receber grau de investimento, o chamado investment grade. Para ele, o resultado deixa o país mais resistente a crises. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, enfatiza que a melhora significa que "o Brasil está superando gradativamente um longo período caracterizado por vulnerabilidade e crises, causadas principalmente pela dificuldade em honrar o passivo externo do país". - Este feito é resultado direto da implementação nos últimos anos de políticas macroeconômicas responsáveis e consistentes, baseadas no tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas para a inflação - disse Meirelles. - Esse tripé tem assegurado uma melhora gradativa dos nossos fundamentos fiscais e externos, o que aumenta a resistência da economia a choques adversos. O Brasil passa a ser credor em razão do forte acumulo de reservas que cresceram 110% entre 2006 e 2007, saindo de US$ 85,8 bilhões para US$ 180,3 bilhões. E pela redução da dívida externa total líquida, que abrange o governo e setor privado, cujo estoque caiu de US$ 165,2 bilhões em 2003, para US$ 4,3 bilhões, previstos para 2007. Mantega afirmou que as reservas brasileiras atingiram US$ 188,5 bilhões (em janeiro) e a dívida total soma US$ 184 bilhões, dos quais US$ 68 bilhões estão sob a responsabilidade do governo. Segundo o Banco Central, os fluxos recebidos pelo País nos últimos anos são provenientes das exportações, investimentos diretos, mercado de capitais e, dívida pública e empréstimos diretos. O Banco Central divulgará o resultado oficial da dívida externa total no dia 27. País não vai quitar Para o economista Raul Velloso, especialista em consta públicas, o resultado mostra a grande melhora da credibilidade financeira do país. Pois, o Brasil passa a ter capacidade suficiente para liquidar o vermelho diante do volume de reservas. Não é interessante para o Brasil quitar a dívida. O gerente-adjunto de relacionamento institucional do Tesouro Nacional, André Proite, diz que o pagamento não pode ser olhado de forma isolada, pois a dívida é um indicador usado para balizar o risco de um país. Velloso concorda. Diz que o mais importante é que o Brasil possui hoje condições para saldar o vermelho. - O país já acumula ativos no BC no valor superior ao da dívida. A rigor, ele já pagou essa dívida, pois o país tem ativos que permitem pagá-la na hora que quiser - diz Veloso. - E não é interessante para a a dívida porque em grande parte pertence ao setor privado. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Guilherme Villela de Pedras, acredita que a solvência do Brasil pode beneficiar o juro praticado na ponta. - Uma melhor composição da dívida faz com que o custo dela se reduza. Assim, se reduz o custo para o Tesouro Nacional ( na venda dos títulos) e se reflete em toda a sociedade porque as taxas do Tesouro Nacional servem de referencia para todo o resto do mercado.
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