16 de setembro de 2007
 
Profissionais estão menos exigentes

Marcelo Monteiro

Os executivos estão menos exigentes nas negociações de novas propostas de trabalho. Uma pesquisa realizada pelo Grupo Catho mostra que três em cada quatro profissionais de médio e alto escalão (76,6%, mais precisamente) aceitam a primeira proposta feita pelo empregador. Entre os executivos desempregados, o índice é de 80,8%.

— A recolocação para os desempregados, especialmente os mais seniores, é difícil — explica o diretor-geral da Catho Online, Adriano Arruda.

Segundo ele, o maior índice de aceitação da primeira proposta pode ser atribuído ao cenário atual do mercado.

— Apesar do aquecimento que estamos vivendo, ainda existe uma grande oferta de profissionais para uma demanda menos numerosa de vagas. A competitividade do mercado de trabalho é muito acirrada.

Hoje, o número de profissionais jovens e qualificados disponíveis no mercado é maior, elevando o nível da concorrência.

— Os profissionais jovens são mais propensos a se arriscar em busca de seus objetivos profissionais, o que os leva a aceitar ofertas que, em princípio, podem não parecer tão interessantes.

Tal quadro favorece a situação das companhias nas negociações. — A grande oferta de profissionais qualificados à disposição no mercado dá maior força às empresas, que poucas vezes se vêem obrigadas (ou encorajadas) a melhorar suas ofertas para 'disputar' um profissional — sentencia Arruda.

Uma seleção de executivo leva, em média, 2,7 semanas e envolve duas entrevistas. Em 1997, um processo semelhante durava cerca de 3,6 semanas, com uma média de 2,5 entrevistas.

— Um dos motivos é a urgência que as empresas têm para o preenchimento de suas vagas abertas, pois, em muitos casos, os cargos que precisam ser preenchidos têm influência direta nos resultados e metas traçadas pelas empresas — diz.

Outra razão para essa aceleração nos processos seletivos é o avanço das ferramentas oferecidas para os recrutadores.

— O mercado dispõe hoje de produtos e serviços modernos e altamente especializados, que facilitam o trabalho do recrutador e oferecem possibilidades de recrutamentos altamente precisos e assertivos. A internet tem peso importante nesse cenário, pois é um dos maiores facilitadores — senão o maior — nos processos de seleção, tanto para recrutadores quanto para profissionais que buscam novas oportunidades no mercado.

Entre os executivos que durante a seleção já estão empregados em outras companhias, os processos de recrutamento mais demorados são para a escolha de presidentes/gerentes gerais (3,72 semanas), vice-presidentes (3,06) e diretores (3,64). Já entre os desempregados, a escolha mais demorada é a dos vice-presidentes (média de 3,2 semanas). O número de referências verificadas para a efetivação de um profissional também caiu: de 2,5, em média, antes de 1999, para apenas duas atualmente.

Já o percentual de candidatos submetidos a testes de seleção aumentou consideravelmente nos últimos 10 anos. Em 1997, 64,4% dos executivos contratados eram submetidos a testes. Em 2007, o índice chegou a 71,5%.

— Os testes facilitam a triagem dos profissionais e avaliam de forma rápida e precisa se eles possuem algumas habilidades e competências necessárias para o preenchimento dos cargos abertos. Por isso, são, indiscutivelmente, filtros importantes e bastante utilizados.

A pesquisa foi realizada com 12.122 profissionais empregados em companhias privadas de todo o país, por meio de um questionário enviado por e-mail, nos meses de março e abril de 2007. Mais de dois terços dos entrevistados (67,24%) são homens.

informação/computação (6,69%). Foram ouvidos presidentes/gerentes gerais (2,61% do total), vice-presidentes (0,3%), diretores (5,51%), gerentes (21,41%), coordenadores/supervisores (19,65%) e profissionais especializados (11,78%), além de consultores, professores, trainees, administrativos e operacionais.

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