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Impactado por uma menor oferta, o preço do leite subiu fortemente e pressionou a inflação brasileira em junho. O movimento foi contrabalançado pela queda dos custos dos combustíveis. Resultado: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que mede a inflação oficial, teve alta de 0,28% em junho, exatamente a mesma variação de maio, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Analistas afirmam que a forte aceleração dos alimentos agrícolas merece ser observada nos próximos meses, mas que ainda há espaço para um corte de juros de 0,5 ponto percentual na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O grupo Alimentação e Bebidas foi o maior responsável pela alta do IPCA de junho, representando 82% do índice. De acordo com dados do IBGE, os preços deste grupo subiram 1,09%, contra alta de 0,16% no mês anterior. O resultado foi o maior em junho da série histórica do IBGE, iniciada em 1994, e o mais alto desde março de 2003. A maior contribuição individual para o IPCA do mês foi do leite pasteurizado, com 0,11%. A elevação desse item no ano soma 15,42%. O leite vem sofrendo com problemas de oferta interna (devido ao inverno) e externa (em razão da quebra de safra em alguns países). Importante no consumo familiar, os preços do leite chegaram a aumentar 12,4% durante o mês passado. Com isso, os derivados também tiveram forte alta: leite em pó (3,45%), queijos (2,77%), leite condensado (2,74%) e creme de leite (1,61%). Foi de 7,35% a elevação do item leite e derivados. Ainda no grupo dos alimentos foram destaques os preços do feijão carioca, alta de 15,73%, e dos ovos, que ficaram 4,93% mais caros. - A inflação foi muito concentrada em junho, como não se via há tempos - disse a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Ela previu que, também este mês, o leite continuará exercendo pressão de alta no índice, que também será afetado pelo ajuste de preço da telefonia fixa no Rio de Janeiro. Em contrapartida, haverá redução de tarifas de energia da Eletropaulo. Segundo cálculos da economista, a queda das tarifas da Eletropaulo significará um impacto negativo de 0,32% na inflação paulista de julho. Já no Rio, a alta fica por conta da mudança da contabilização de pulsos para minutos no telefone, que irá gerar alta de 3,30% nas tarifas. - O IPCA de julho terá pressão significatica para baixo da região de São Paulo, porque a energia tem um grande peso (33%) - avaliou. Em contrapartida, os combustíveis recuaram 1,69%, puxados principalmente pela redução dos preços do álcool, por conta da maior produção de cana-de-açúcar. Nas bombas dos postos de abastecimento, o álcool combustível caiu 12,35%. O IPCA acumulou alta de 3,69% nos últimos 12 meses, também puxado por Alimentação e Bebidas (alta de 3,93% contra 1,23% em 2006). No primeiro semestre do ano passado, a elevação foi de 1,54%. O núcleo do IPCA por médias aparadas - que exclui produtos com variações muito fora da média - com suavização subiu de 0,3% em maio para 0,34% no mês passado, segundo cálculo de economistas. Sem suavização, o núcleo por médias aparadas caiu de 0,3% para 0,23%. O núcleo por exclusão - sem alimentos em domicílio e preços administrados - passou de 0,33% para 0,22% em junho. - Continua a atenção com a inflação. Claro que temos que ter em mente que a maior parte dessa pressão (de maio e junho) está focada em alimentos, mas temos que acompanhar se é transitória ou se ela vai persistir - disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schain.
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