05 de julho de 2007
 
Oi vai parar de vender aparelhos

Raquel Abrantes

Toda a campanha da Oi pelo fim do bloqueio dos celulares tem fundamento: a operadora vai parar de vender aparelhos assim que esgotar o estoque. A empresa de telefonia já saiu da ponta de distribuição para as redes de varejo e continua vendendo apenas os celulares restantes em suas lojas. O objetivo da Oi é focar em seu principal negócio: a comercialização dos chips.

A tecnologia GSM possibilita que várias linhas de telefone sejam utilizadas em um mesmo aparelho, desde que ele seja desbloqueado. Para isso, os consumidores precisam saber dessa possibilidade - que nunca fora informada na aquisição dos celulares por nenhuma operadora - para poder solicitar o desbloqueio e estar apto a ser o novo cliente Oi.

- A Oi entende que a concorrência está nos serviços oferecidos - explica a diretora de Marketing de Varejo da operadora, Flávia Bittencourt. - Vamos parar de vender os aparelhos e vamos comercializar apenas os chips, cuja operação é bem mais simples. Fora que podemos vendê-los em vários lugares, como banca de jornal, farmácia e até sorveteria, no caso do plano pré-pago. Para adquirir o chip pós-pago, é preciso ir a uma loja, para a escolha do plano de minutos.

Desde que passou a vender todos os aparelhos desbloqueados e deu início à campanha, em maio, a Oi retirou os descontos concedidos aos celulares e, em seu lugar, passou a subsidiar os planos contratados. A medida refere-se aos pós-pagos, já que na compra de um pré-pago o consumidor paga o valor integral do aparelho, sem descontos.

- Em vez de subsidiar o aparelho, damos agora o mesmo valor de redução na aquisição da nova linha pós-paga - esclarece a diretora da Oi. - Dividimos a quantia de desconto por 10 e vamos abatendo da conta a cada mês.

A estratégia da Oi começou a partir de uma pesquisa de satisfação do cliente, na qual a operadora descobriu que cerca de 15% dos entrevistados já tinham dois ou três chips de diferentes empresas de telefonia celular, para aproveitar as ofertas de cada região do país. Flávia disse ainda que os clientes também passaram a demonstrar interesse pelo desbloqueio.

- Os consumidores não entendiam por que, se compravam o aparelho, não podiam usar também o chip de outra operadora - acrescenta a diretora. - Como o mercado de celulares já tem grande penetração, existe a negociação paralela de aparelhos e vários canais informais fazem o desbloqueio pelo mínimo de R$ 15 (valor que varia conforme modelo e fabricante).

A Oi também está desbloqueando de graça os seus aparelhos que estavam no mercado antes da campanha. O cliente só precisa procurar uma das lojas.

Nas outras operadoras do Sudeste - Tim, Vivo e Claro - todos os aparelhos são vendidos bloqueados. A resolução 316 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dá às empresas o prazo de carência de 12 meses de fidelização do cliente.

A TIM cobra taxa de R$ 45 pelo desbloqueio do aparelho antes desse prazo. Na Vivo, a tarifa é de R$ 100; e na Claro, de R$ 200. Após a carência, a liberação para o uso de outros chips é grátis.

O diretor regional da TIM, José Paulo David, ressalta que o valor dos aparelhos bloqueados é sempre menor que o dos desbloqueados. Por isso, não é possível para as operadoras dar desconto na compra de celulares desbloqueados.

- Na verdade, o cliente não demonstra interesse pelo desbloqueio - afirma David. - Ele valoriza o relacionamento com a operadora e o valor baixo do aparelho.

Técnica de defesa do consumidor do Procon-SP, Marta Aur alerta que há falha na informação e que é preciso ter atenção aos contratos.

- Os consumidores não sabem que podem recorrer ao desbloqueio do aparelho já no ato da compra - ressalta Marta. - Ficam sabendo "desse detalhe" apenas quando querem trocar de operadora.

A especialista considera saudável a postura da Oi, por incentivar a concorrência.

- A tecnologia GSM permite o uso de vários chips no mesmo aparelho e o consumidor tem o direito de aproveitar o melhor preço de ligação cada operadora (em relação ao horário e à região) - destaca Marta. - Com a concorrência, as outras empresas podem começar a vender os celulares desbloqueados também.