24 de junho de 2007
 
Poupança ou fundos DI: qual rende mais?

Ana Cristina Góes

Com a queda na Selic (taxa básica de juros) para 12% ao ano e as mudanças no cálculo da rentabilidade da poupança, a dúvida que paira na cabeça dos investidores é: qual aplicação financeira tem um retorno melhor — os fundos de investimento DI ou a caderneta de poupança?

Em março deste ano o governo alterou o cálculo na rentabilidade da poupança, mudando o redutor da TBF (Taxa Básica Financeira), média dos juros de títulos bancários que acompanha de perto a Selic. Antes, o redutor aplicado a uma TBF igual ou inferior a 12% no cálculo da TR era de 28%. Agora, subiu para 32%. A medida provocou uma diferença de 4,4% na rentabilidade da poupança, de 0,68% para 0,65% ao mês.

O economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), lamenta a mudança.

— O governo escolheu o momento errado para mexer na poupança. Ficou ruim — diz.

Pelos cálculos do economista, se a taxa Selic cair para 11% até o fim do ano, conforme as expectativas do mercado, a caderneta de poupança vai render 10,6% a menos.

Para quem está em dúvida entre a poupança e os fundos de investimento DI, o economista dá a dica.

— Os fundos que tiverem uma taxa de administração inferior a 1,5% ganham da poupança — compara.

O administrador de investimentos Fábio Colombo afirma que antes de o investidor decidir entre a poupança e os fundos DI, ele deve definir qual o seu horizonte de investimento.

— Para quem quer aplicar no curto prazo, ou seja, seis meses, um fundo que tenha uma taxa de administração de 2,5% ao ano, com desconto de 22% de imposto de renda sobre o rendimento, dá o mesmo retorno da poupança — afirma.

— Já para os investidores que querem movimentar a aplicação no longo prazo, ou seja, após dois anos, os fundos que têm uma taxa de administração a partir de 3,5% ao ano rendem menos do que a poupança — explica Colombo. Outra dica para o investidor é comparar na prática o retorno das aplicações.

— O investidor deve ir ao banco e verificar quanto rendeu a poupança no mês fechado e comparar com a rentabilidade do fundo DI depois de descontar o imposto de renda e a taxa de administração — sugere. O professor de finanças pessoais da FEA-USP, Rafael Paschoarelli, considera natural a mudança no redutor da TR.

— A poupança não pode render mais do que a taxa Selic, mas pode render mais do que um fundo. É um jeito fácil de dar competitividade aos fundos — afirma.

Segundo Paschoarelli, os fundos com uma taxa de administração superior a 2% ao ano certamente vão render menos do que a poupança.