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Ana Cristina Góes
Com a queda na Selic (taxa
básica de juros) para 12% ao ano
e as mudanças no cálculo da
rentabilidade da poupança, a
dúvida que paira na cabeça dos
investidores é: qual aplicação financeira
tem um retorno melhor
— os fundos de investimento
DI ou a caderneta de
poupança?
Em março deste ano o governo
alterou o cálculo na rentabilidade
da poupança, mudando
o redutor da TBF (Taxa Básica
Financeira), média dos
juros de títulos bancários que
acompanha de perto a Selic. Antes,
o redutor aplicado a uma
TBF igual ou inferior a 12% no
cálculo da TR era de 28%. Agora,
subiu para 32%. A medida
provocou uma diferença de 4,4%
na rentabilidade da poupança,
de 0,68% para 0,65% ao mês.
O economista Miguel José
Ribeiro de Oliveira, vice-presidente
da Anefac (Associação
Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade),
lamenta a mudança.
— O governo escolheu o momento
errado para mexer na
poupança. Ficou ruim — diz.
Pelos cálculos do economista,
se a taxa Selic cair para 11%
até o fim do ano, conforme as
expectativas do mercado, a caderneta
de poupança vai render
10,6% a menos.
Para quem está em dúvida
entre a poupança e os fundos de
investimento DI, o economista
dá a dica.
— Os fundos que tiverem
uma taxa de administração inferior
a 1,5% ganham da poupança
— compara.
O administrador de investimentos
Fábio Colombo afirma
que antes de o investidor decidir
entre a poupança e os fundos
DI, ele deve definir qual o
seu horizonte de investimento.
— Para quem quer aplicar
no curto prazo, ou seja, seis meses,
um fundo que tenha uma
taxa de administração de 2,5%
ao ano, com desconto de 22% de
imposto de renda sobre o rendimento,
dá o mesmo retorno
da poupança — afirma.
— Já para os investidores
que querem movimentar a aplicação
no longo prazo, ou seja,
após dois anos, os fundos que
têm uma taxa de administração
a partir de 3,5% ao ano rendem
menos do que a poupança —
explica Colombo.
Outra dica para o investidor
é comparar na prática o retorno
das aplicações.
— O investidor deve ir ao
banco e verificar quanto rendeu
a poupança no mês fechado e
comparar com a rentabilidade
do fundo DI depois de descontar
o imposto de renda e a taxa
de administração — sugere.
O professor de finanças pessoais
da FEA-USP, Rafael Paschoarelli,
considera natural a
mudança no redutor da TR.
— A poupança não pode render
mais do que a taxa Selic,
mas pode render mais do que
um fundo. É um jeito fácil de
dar competitividade aos fundos
— afirma.
Segundo Paschoarelli, os
fundos com uma taxa de administração
superior a 2% ao ano
certamente vão render menos
do que a poupança.
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