19 de maio de 2007
 
Pacote de bondades para o crédito

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo pretende acelerar medidas para reduzir o custo do crédito no Brasil. Entre elas a aprovação da proposta de cadastro positivo e a ampliação das informações prestadas pela Central de Risco do Banco Central. Segundo o ministro, as medidas teriam impacto em dois componentes expressivos do spread bancário: a inadimplência e o custo para manter o sistema financeiro. Esses dois itens representam 50% do custo do spread bancário.

O spread é a diferença entre a taxa de captação de recursos pelos bancos e o juro cobrado dos clientes finais.

- Queremos fornecer informações sobre o risco de cada cliente, uma vez que hoje o bom cliente acaba pagando pelo mau cliente. Todos são considerados de risco alto - explicou Mantega.

A proposta do cadastro positivo prevê a criação de um banco de dados de proteção ao crédito com o histórico de créditos e pagamentos dos consumidores, o que, em tese, serviria para reduzir os juros pagos por consumidores que tenham melhor histórico financeiro. A Central de Risco de Crédito registra todos os financiamentos acima de R$ 5 mil. O governo quer ampliar os registros dessas operações para valores ainda menores.

Mantega informou que o governo pretende aprovar em até três meses, no Congresso, o cadastro positivo de crédito:

- Queremos ter uma melhoria da informação do sistema financeiro. Vamos aprovar o cadastro positivo em um, dois, três meses.

Mantega garantiu, porém, que a redução dos depósitos compulsórios não faz parte da agenda de medidas prioritárias do governo para diminuir o peso dos fatores que contribuem para o spread bancário. Segundo o ministro, a agenda do governo inclui, prioritariamente, a melhora das informações dos tomadores de empréstimo.

- O governo não cogita reduzir o compulsório - afirmou. - Os tributos também não foram mencionados. Preferimos desonerar a folha de pagamento de setores que estão sendo prejudicados pelo câmbio.

O ministro acrescentou que essas medidas devem ser anunciadas ainda no primeiro semestre.

Mantega esteve reunido ontem com o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.