30 de janeiro de 2007
 
Taxas chegam a mais baixo patamar desde 2000 e microcrédito tem ano morno

Brasília. O ano passado terminou com a menor a taxa de juros cobrada de pessoas físicas desde o início da série histórica, em julho de 1994. Além disso, segundo o BC, a taxa média para empresas e pessoas físicas também é a mais baixa desde o começo do monitoramento, em junho de 2000. Como efeito colateral, a inadimplência subiu 0,8 ponto percentual, chegando a 5% dos empréstimos.

O crescimento da renda e do emprego com carteira assinada tem dado mais segurança para que pessoas físicas tomem recursos nos bancos. Entre as linhas disponíveis, a que mais chamou a atenção foi o crédito com desconto em folha. O salto da carteira foi de 52%, para R$ 48,175 bilhões. O consignado já responde por 54,3% de todos os empréstimos pessoais.

No caso das pessoas jurídicas, o que liderou a expansão foi o aumento de empréstimos para pequenas e médias empresas, uma vez que as grandes têm buscado o mercado de capitais.

Em 2006, enquanto a Selic caiu 4,75 pontos, a taxa geral dos empréstimos caiu 6,1 pontos, para 39,8%. O corte, no entanto, seguiu ritmo distinto. Nas linhas voltadas para o consumidor, as taxas médias caíram 7,2 pontos, para 52,1% ao ano. Para empresas, a redução foi de 5,5 pontos, para 26,2%. O total emprestado para pessoas físicas aumentou 25,2% no ano, para R$ 238,772 bilhões. Nas carteiras para empresas, a expansão ficou em 22,1%, para R$ 260,098 bilhões.

O microcrédito, por sua vez, perdeu o fôlego. Números do BC revelam que bancos destinam cada vez menos recursos para a carteira anunciada como uma das principais medidas microeconômicas do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o chefe do departamento econômico do BC, Altamir Lopes, muitas instituições têm preferido manter parados os recursos obrigatórios para o microcrédito.

Segundo o BC, o sistema financeiro terminou 2006 com o cumprimento de 56,1% da meta de emprestar 2% dos depósitos à vista em operações simplificadas e com juro diferenciado, de 2% ao mês. Dos R$ 1,741 bilhão previstos, só R$ 976,7 milhões foram aplicados. (F.N.)