08 de junho de 2008
 
Fernando Morais: "Preciso me penitenciar publicamente"

O escritor e jornalista Fernando Morais já "assassinou" ao menos duas pessoas. Sua primeira vítima foi o político Último de Carvalho. Em 1975, ao escrever para a revista Veja uma capa sobre o Estado de Minas Gerais, informou a morte do deputado mineiro, na época vivíssimo. O segundo "crime" ocorreu durante o extenuante processo de escrita da recém-lançada biografia de Paulo Coelho. Na página 565, Morais afirma que Celso Lafer viria a ocupar, em 2003, a cadeira de Alberto Venâncio na Academia Brasileira de Letras. O que não seria um problema se a cadeira ainda não estivesse ocupada pelo próprio Venâncio, que felizmente ainda não interrompeu sua passagem pelo nosso mundo.

Consultado pelo JB, Morais admite os dois erros e garante que já enviou errata à editora, que fará a correção nas possíveis edições seguintes da biografia.

– Preciso me penitenciar publicamente diante do professor Alberto Venâncio pela gafe imperdoável, fruto do estresse em que me encontrava àquela altura do livro. O mais grave é que sou reincidente nesse crime – brinca o biógrafo.

Quanto à alegação do acadêmico Hélio Jaguaribe de que Celso Lafer não cabalou votos a seu favor, já que na época não era integrante da ABL, afirma que não precisa fazer qualquer errata. E cita uma entrevista de Jaguaribe concedida à revista Istoé Gente, em agosto de 2002.

– Lembro que o próprio Jaguaribe reconheceu o envolvimento do então chanceler Lafer na disputa, dizendo aos jornais tratar-se de "um velho amigo da juventude que telefonou para pessoas que não iam votar em mim".

Desde que iniciou o projeto de O mago, Morais sabia que tinha um material polêmico nas mãos. Com a garantia de que o Bruxo não leria os originais, só tomando conhecimento do conteúdo do livro quando este já estivesse impresso e distribuído, ganhou carta branca para atacar pontos polêmicos de Coelho, como o atropelamento de uma criança, o pacto com o demônio e suas incursões homossexuais. Para incrementar o material, ganhou – graças a uma aposta com o escritor – o acesso ao baú secreto de Paulo Coelho, que continha 40 anos de diários do Mago, preenchendo 170 cadernos grossos e mais 100 fitas de áudio.

– A vida dele é uma associação de tragédias – afirma. – É choque elétrico, desencontro sexual, drogas, satanismo, prisão injusta... Não fazia a menor idéia que eu ia topar com um bicho tão grande.

Durante os três anos de trabalho, Morais mudou-se para o Rio, viajou três vezes à Europa, uma ao Oriente Médio e outra à Europa Oriental. Afirma que não presenciou qualquer feito mágico do Bruxo. Mas não desmente seus poderes, como o de fazer ventar. Do convívio com o escritor, o que mais o surpreendeu foi a simplicidade.

– Levando em conta seus meios financeiros, ele vive como um franciscano.

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