19 de maio de 2008
 
Prontos para o futuro

Vencedor da segunda edição do BdeBanda, o grupo carioca Macanjo abre hoje à noite as Seletivas Mada, na Melt, e prepara seu CD de estréia

Braulio Lorentz

No alto de palcos e freqüentando estúdios há quase dois anos, o grupo carioca Macanjo escolheu este semestre para gravar seu disco de estréia, ainda sem nome, após ter sido vencedor do BdeBanda, promovido em outubro pelo Jornal do Brasil. Algumas das novidades do quarteto poderão ser vistas hoje, na primeira etapa das seletivas do festival Mada (Música Alimento da Alma), na Melt, no Leblon. Por ter ganhado o último concurso, o Macanjo fecha a noite com a certeza de já estar confirmado entre as atrações do maior evento independente de pop rock brasileiro. O festival, que completa 10 anos em 2008, será realizado entre 14 a 16 de agosto, em Natal. Na primeira noite da Seletivas Mada, juntam-se ao Macanjo as bandas Mobile Drink, Latuya, Doidivinas, Delloria, NV e Tapete Red.

– Ganhar é sempre bom, o BdeBanda foi uma etapa que consagrou nosso esforço e nos trouxe um oxigênio – resume o vocalista e guitarrista André Aquino, que integra a banda da cantora e atriz Marjorie Estiano, para quem também compõe. – É difícil fazer shows com artistas independentes no Rio em condições legais e estrutura bacana. Tanto no BdeBanda como nas Seletivas Mada são várias bandas juntas num mesmo contexto, com a mesma proposta de som.

Correria para lançar o CD

O grupo quer aproveitar a exposição do Mada. Para isso, os integrantes apressam a finalização de sua estréia para lançar seu CD no evento que impulsionou a carreira do também carioca Detonautas Roque Clube.

– É possível lançar em agosto, pois já tocamos em shows praticamente todas as músicas que estarão no CD, chegamos com os arranjos prontos – explica o vocalista. – Baixo e bateria já foram gravados nos estúdios do produtor Carlos Trilha. Optamos por gravar essa parte do disco com ele, porque gostamos do tipo de som que ele tira. São os primeiros alicerces de um CD de rock.

Trilha – que já trabalhou com Lobão, Los Hermanos, Ana Carolina, Legião Urbana e Pedro Luis e a Parede – assina como produtor no primeiro CD do Macanjo, ainda sem nome definido, e já confirmou que vai fazer a mixagem e masterização do trabalho. A seleção inclui músicas como Pensando bem e Arlequim.

– Adoro as composições deles. O Macanjo tem alguma coisa a mais em relação aos outros artistas. As músicas emocionam. É isso que me pegou no show e me pegou aqui no estúdio. Eles tocam superbem. É um prazer – declara Trilha.

O produtor do quarteto diz que tem um jeito bem particular de trabalhar, que fez com que eles se identificassem com sua proposta.

– Gosto de microfonar e estar presente em todas as etapas – conta Trilha. – O mais comum é a partir de um certo ponto largar. Tenho interesse pela parte técnica. Meu estúdio não é padronizado, não é de locação. É apenas para meu próprio uso.

Produtor das Seletivas Mada, que começam hoje e continuam com outras 14 bandas que se apresentam nos dias 26 de maio e 1º de junho, Marcelo Reis explica que a competição é o caminho mais curto para tocar no evento.

– É um time novo que está participando das seletivas, uma nova safra. Optamos por não repetir nomes. Todos ficaram emocionados de estar pela primeira vez nas seletivas. Até porque é o ano em que o festival comemora uma década – frisa Reis.

O produtor explica como escolheram as bandas que vão fechar cada uma das três noites:

– Macanjo, O Salto e Eletro têm todos os requisitos para fazer o fechamento de uma seletiva. São bandas muito preparadas. Estamos empolgados com esse elenco.

Todos os concorrentes querem estar no mesmo lugar do Macanjo, formado também por Rafael Maia (bateria), Caio Barreto (guitarra) e PC (naipes e vocal): os estúdios Sonido e o de Carlos Trilha; e com show garantido na próxima edição do Mada.

– A idéia é manter o calor. A gente conta muito com o Trilha na busca de um som. Ele sempre sempre preservou uma alma muito indie e usa a tecnologia como meio, não como fim – explica Aquino.

Calmos como Los Hermanos

As versões lançadas no primeiro EP e que estão no site da banda foram feitas em junho de 2006, no começo das atividades.

– Montamos a banda e já partimos para gravar as músicas – diz o guitarrista. – A gente veio tocando de lá pra cá. As canções ganharam outras cores, ficaram orgânicas, mais vivas. Eu e Caio tocamos com a Marjorie, mas durante o período de novela fazemos só fins de semana. Continuo também compondo muito. Tem uma parceria minha com a Rita Lee – diz Aquino.

A calma com que os integrantes do Macanjo encaram as futuras etapa é, de acordo com Carlos Trilha, a mesma demonstrada por Los Hermanos.

– As duas bandas se parecem, pois ambos deixam a coisa acontecer e preferem períodos de gravação que são dias inteiros – explica o produtor. – Juntos, testamos muitos amplificadores: é como um laboratório. Acaba que fica muito personalizado. Temos feito experiências interessantes.

[ 19/05/2008 ]   02:01