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Saiu ontem e já mexe com a cabeça de milhares de jovens em busca de um sonho: ser revelado num palco de um grande evento. Anualmente, a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) publica o calendário com as datas de seus festivais afiliados. A lista de 2008 tem 30 mostras de pequeno ou médio porte e servem como trampolim de lançamento de novos artistas. Para poder integrar a Abrafin, é preciso ter não mais do que 30% da programação formada por bandas consideradas grandes, como O Rappa, Biquini Cavadão, Sepultura e Skank, por exemplo. Mas, ainda que exista uma profusão de grupos do novo pop rock, como o carioca Manacá, o brasiliense Móveis Coloniais de Acaju e o cuiabano Vanguart, em muitos casos são esses nomes já manjados que garantem bons públicos para os eventos. - As bandas que artisticamente nos interessam já vieram para o festival pelo menos duas vezes. Houve o pop rock dos anos 80 e o dos 90, com bandas que cresceram e ficaram conhecidas. A década de 00 já vai terminar. Se alguma coisa expressiva tivesse que acontecer já teria acontecido - sentencia Paulo André, produtor do festival recifense Abril Pro Rock, que completa 16 edições neste ano e pretende confirmar as bandas de metal Helloween e Gamma Ray como principais atrações. - Para uma banda poder ser considerada um estouro nacional, ela tem que ser conhecida no Nordeste. Se não for, é apenas um sucesso regional. Jomardo Jomas, idealizador do Mada, de Natal, completa agora 10 anos lidando com problema semelhante para confirmar atrações de apelo popular que possam garantir o sucesso de seu evento. - Em relação ao mercado mainstream, houve uma quebra que foi geral. As bandas que eram grandes há alguns anos continuam sendo as mesmas. Desde 2001, não tivemos uma banda que chegasse ao topo. Se você quiser colocar uma grande atração para conseguir público fica sem opções - explica Jomas, que investiu em 2004 na banda nova-iorquina The Walkmen, sucesso de crítica, mas fracasso de público. Pablo Capilé, que produz os festivais cuiabanos Calango e Grito Rock, não adota a mesma estratégia de seus companheiros de Abrafin. - Em todas as edições nunca colocamos um headliner de uma grande gravadora. Na tentativa de consolidar o mercado médio, só investimos em bandas como Móveis Coloniais do Acaju, Vanguart e Forgotten Boys. A mídia especializada acaba cobrindo só as bandas mais conhecidas. As fórmulas do Mada e do Porão do Rock (festival de Brasília) não são aplicadas por mim - conta Capilé. Pequeno ou médio? Depende... Das 13 edições do Goiânia Noise, quatro foram realizadas com apoio da lei de incentivo à cultura do estado e três com a do município. A edição do ano passado foi feita com verba de edital da Petrobras. Mesmo sendo um festival independente, o evento depende de empresas para saber qual será seu tamanha a cada ano. - A gente quer se concentrar num formato. No festival tocam bandas de Goiás e grupos novíssimos que nunca vieram aqui. Já o Goiânia Noise é composto por entre três e seis atrações internacionais de pequeno e médio porte e os grandes destaques do ano no Brasil - diz Fabrício Nobre, produtor goiano de dois dos maiores festivais de seu estado. Nobre enumera com facilidade as vantagens do calendário divulgado pela Abrafin: - Conseguimos fazer parcerias para dividir custos, fica mais fácil ter a imprensa em todos, não divide público. A grande dificuldade é conseguir patrocínio. Mesmo com as leis de incentivo fiscal e o apoio de empresas como Petrobras e Tim, ainda falta muito. - Queremos ter mais facilidades com relação à Lei Rouanet e adequá-la para facilitar o circuito de festivais - antecipa Jomas. - Do orçamento do Calango, 40% são de passagem aérea. Tudo ainda é muito distante e as passagens são caras - completa Capilé. O carioca Rodrigo Lariú, que produz o Evidente (estréia em março), também se queixa da dificuldade de conseguir apoio, mas tem outra reclamação. - É difícil fazer com que o público no Rio se interesse por bandas novas.
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