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Graças a uma campanha informal feita por amigos e admiradores, o diretor carioca Augusto Boal, 77 anos em 16 de março, pode estar na lista de indicados ao Prêmio Nobel da Paz este ano. De dezembro último ao fim de janeiro, instituições, políticos e personalidades foram solicitados - através de e-mails e boca-a-boca - a mandar cartas ao comitê do prêmio (que é sueco, mas o da Paz é entregue na Noruega) indicando o nome do criador do Teatro do Oprimido, método de encenação e trabalho social em prática há mais 30 anos. O prêmio será anunciado em outubro, mas os nomes de quem escreveu as cartas em favor de Boal só poderão ser divulgados daqui a 50 anos. - É uma norma. O comitê do Nobel só revela quem mandou as cartas com indicações e os nomes envolvidos depois de 50 anos. E eu não posso esperar esse tempo todo. Já vou estar morto de curiosidade - brinca Boal. - As notícias acabam vazando e soube que professores alemães e suíços tinham a intenção de me indicar ao comitê. Até outubro, o comitê norueguês faz uma seleção dos indicados - que costumam chegar a mais de 100 nomes. São levantados 10 finalistas. O vencedor, selecionado após uma análise da vida, carreira e importância de cada um dos concorrentes, é anunciado em outubro. O presidente da Funarte, Celso Frateschi, e sua mulher, a arquiteta e cenógrafa Sylvia Moreira, estiveram à frente da campanha informal, aliados aos curingas do Teatro do Oprimido - como são chamados os parceiros de Boal, lembrando aos amigos a importância do diretor. Apesar do entusiasmo, o casal não entrega muito o jogo, com medo das conseqüências que isso pode trazer para o processo de escolha do vencedor. O negócio é manter o sigilo. - Fico reticente em dizer quem está envolvido, porque isso pode contar contra o Boal - lamenta Sylvia. - Só posso adiantar que nomes como Gilberto Gil, Chico Buarque e Aderbal Freire-Filho são admiradores de seu trabalho. Frateschi foi integrante da última fase do Teatro de Arena, célebre grupo dos anos 50 e 60, no qual Boal criou o teatro-jornal, uma das técnicas empregadas no Teatro do Oprimido. Voltou a trabalhar com o diretor quando foi secretário de Educação e Cultura de Santo André e secretário de Cultura de São Paulo. - Fizemos uma série de ações a partir do método de Boal - cita Frateschi. - É fundamental lembrar a importância da trajetória do Boal não só no teatro especificamente, mas na área de direitos humanos, pelo mundo todo. E curiosamente ele acabou mais conhecido e respeitado fora do Brasil do que em seu próprio país. Ativo em mais de 70 países, o Teatro do Oprimido, prática que que mistura teatro e engajamento político, é levado a presídios e instituições psiquiátricas. Já fez parceria com o MST e comunidades diversas. Começou no Brasil e foi amplamente divulgado na Europa durante o exílio do teatrólogo, nos anos 70 e 80. - Sempre foi um trabalho multiplicador - reforça Boal. - Não tenho expectativas de ganhar o prêmio, mas fico profundamente satisfeito de ver a quantidade de gente que se empenhou nessa campanha. É uma vitória do Teatro do Oprimido.
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