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João Brasil é um cara gozado. O repertório do cantor carioca tem músicas como Baranga, Supercool e Cobrinha fanfarrona. Praticamente todas são autobiográficas, ele revela - inclusive a impublicável P... molão, que narra um episódio que aconteceu com o cantor, quando assistia a um show do funkeiro Mr. Catra na Boate Erótika, em Copacabana. - Fui convidado para subir no palco e fiquei só de cueca e tênis. O público gritou "p... molão, pau molão!" e o Catra começou a me sacanear - lembra Brasil. O cantor é também autor de Mônica Waldwogel, uma homenagem à apresentadora, que conheceu pessoalmente, por amigos em comum. O refrão da música é "Mônica Waldvogel/Um sonho erótico meio GNT/Eu não sou de coroa/Mas, Mônica, eu tenho tesão em você". - Achei a Mônica bonita, e resolvi fazer uma música para ela. Depois ela me mandou um e-mail falando que gostou da música, e que nunca tinha pensado em virar musa de alguém. Essas galhofas são destaque da apresentação de João hoje, no Fesitval Humaitá Pra Peixe, com abertura da não menos performática cantora Sílvia Machete. E a gozação se estende também aos seus figurinos. Nos shows, Brasil sobe ao palco - ao lado dos parceiros Paulo Catran (bases e sintetizador) e Letícia Novaes (vocal de apoio e performances) - vestindo robes de oncinha, além de munhequeiras, óculos Ray-Ban e outros apetrechos cafonas. O som do rapaz é um Miami-bass repleto de tons de sintetizadores e com alguns samples de hits de pista, como Celebration, da KC and the Sunshine Band. - Por mais que meu trabalho pareça anarquista, ele tem uma estrutura por trás - acredita Brasil. - Quero fazer coisas mais elaboradas, sem deixar o humor de lado. Era o que o Frank Zappa fazia. Ele era escrachado, mas tinha arranjos elaborados. Anarquia na escola de jazz O radialista e fotógrafo Maurício Valladares, que já levou João Brasil para cantar ao vivo em seu programa, o Ronca-Ronca, na Oi FM, considera o cantor um artista sem limitações: - Ele não é um cara que caiu de pára-quedas. O João estudou e se preparou muito. O trabalho dele é uma brincadeira, sim. Mas, ao contrário de muita gente que faz isso por falta de horizontes, ele pode fazer várias outras coisas. Pode escrever trilhas, fazer peças para duo de violinos, o que quiser. Idealizador do Humaitá Pra Peixe, Bruno Levinson reforça o coro. Diz que a platéia pode esperar um show bem contagiante. - Ele é tão espirituoso e o som dele vai tão na veia que é difícil não imaginar o público indo na onda dele - espera. - O som parece não ser sofisticado à primeira vista, mas é muito bem feito. Toda essa onda de sarcasmo está enraizado na produção de João desde os primórdios. Na segunda metade dos anos 90, quando cursava faculdade de publicidade, ele montou o Boi Zebu, primeira banda na qual cantava, tocava violão e mostrava algumas de suas músicas. O carnaval acabou com meu fígado, uma das canções que lançou agora, surgiu nessa época. - Fazíamos músicas irreverentes e também umas mais revolucionárias, falando de política. Mas só tocávamos em lugares pequenos, com exceção de uma vez, em Campos, em que abrimos para Claudinho & Buchecha - lembra. Após o fim da banda, o cantor foi para a Berklee College of Music, em Boston, fazer um curso de music synthesis (ou "produção de música eletrônica", como ele traduz). Nos Estados Unidos, Brasil aprendeu a mexer com sintetizadores, a produzir, a escrever canções e assistiu a palestras de gente como Quincy Jones e Al Cooper, além de shows de vários jazzistas renomados. Mas se sentia deslocado no campus. - Eles ensinavam jazz, e eu nunca fui um músico virtuoso. Mas estudar lá me ajudou bastante - explica, lembrando que a música Baranga, seu maior hit, nasceu na Berklee. - Lá fazia um frio canino. E, para um brasileiro, as gatinhas nunca davam mole. As que sobravam eram o resto. Fiz o refrão, um dia, atravessando a rua. Músicas por encomenda Ao voltar dos Estados Unidos, João Brasil começou a compor sozinho, ensaiou Baranga e a velha de guerra O carnaval acabou com meu fígado e fez novas músicas. Nesse período, criou um estúdio, o Lontra Music (para gravar seu próprio trabalho e fazer trilhas) e registrou todas as canções. No fim de 2006, abriu seu endereço no MySpace, onde hospedou as faixas, que, no boca-a-boca, chegaram a amigos, aos primeiros fãs e... ao apresentador Marcos Mion, que tocou uma de suas músicas no programa Mucho macho, na MTV. - Um amigo meu viu Baranga tocar lá. Mandei e-mail dizendo que eu era o compositor da música e eles me chamaram. Depois me pediram para fazer músicas para o programa. Fiz Elvis é macho e o tema do pan do Mucho macho, o Macho pan - conta Brasil, que também já apresentou Baranga no quadro Pistolão, do Domingão do Faustão, levado por uma amiga, a atriz Maria Flor. - O João Brasil é um daqueles raros talentos genuínos que têm a genialidade de não se levar a sério. - diz Marcos Mion, que considera Brasil um hitmaker de primeira linha. - Todas, absolutamente todas as músicas que ele fez para o programa viraram automaticamente assovio na boca da galera. Para breve, os fãs podem esperar o lançamento do CD independente João Brasil e os 8 hits. Baranga ficou tão popular que já está disponível pela Som Livre como ringtone. E, mesmo que os admiradores já conheçam bastante o repertório, Brasil diz que o CD é um grande cartão de visitas: - Ele serve para vender nos shows, para conseguir apresentações. E tem gente que já baixou minhas músicas e quer comprar o CD mesmo assim. Mas as pessoas não vão mais em loja atualmente, só se for para comprar coisas específicas.
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