13 de setembro de 2007
 
Clássico - Garrett quase trocou os palcos pelas passarelas

Monique Cardoso

Ex-modelo, o violinista David Garrett, que mergulha no repertório do russo Prokofiev hoje, às 16h, no Teatro Municipal, bem que poderia estar desfilando seu charme em passarelas e editoriais de moda. Prodígio quando criança, este louro alto certamente estaria em todas as capas de revistas se fosse vocalista de uma banda de rock. Mas toca violino e as sessões de fotos são uma vaga lembrança da época em que freqüentava passarelas.

- Olha, é incrível como vocês no Brasil têm interesse nisso! - diz Garret, por telefone, de Copenhagen, capital da Dinamarca. - Não há nada em comum nas duas atividades. Ser modelo só me trouxe, talvez, confiança para estar no palco.

Sua presença diante da platéia é bem diferente do estereótipo do instrumentista clássico. Garret tocou no Brasil há dois anos e chamou a atenção por seu jeito cool: calça jeans rasgada, cabelos desalinhados e tênis. O violinista, entretanto, nega que tente, com isso, atrair uma platéia jovem a seus concertos.

- Aparência não é uma preocupação minha, é uma questão de marketing - acredita o músico, que vive num dos pontos mais in de Nova York, o Hell's Kitchen. - É importante que haja um público novo; e se uma identificação é necessária, ok, nesse caso a atitude e a aparência contam.

Garrett, ex-aluno de Itzhak Perlman, tornou-se um músico respeitado desde sua formatura na Julliard School. Tem seis discos gravados por selos como a Deutsche Grammophon e a Decca, e é atração garantida em concertos de maestros como Daniel Baremboin e Claudio Abbado. Depois de tocar no Rio, segue para recitais na Alemanha e, em dezembro, faz concertos com a London Philharmonic no Royal Albert Hall. Por isso, é natural que não goste que pensem que é só um rostinho bonito.

- Trabalho todos os dias da minha vida. Não penso em moda, meu negócio é música - diz, sério.

David Garret, 27 anos, nasceu na Alemanha e vive em Nova York desde os 18. Começou a tocar aos cinco anos para imitar o irmão, hoje advogado. A carreira internacional começou aos 13, mas, quatro anos depois, resolveu repensar tudo. Trabalhou como modelo, caiu na noite. Voltou a estudar aos 21.

- Quando me dei conta de que tinha uma vida diferente das outras crianças, eu já era bem mais velho.

Seu último disco, Free, une composições próprias e peças de Bizet, Morricone e Rimsky-Korsakv. Foi lançado inicialmente na China, com grande vendagem. O artista diz que o futuro da música está na internet.

- Existe um grande mercado em transformação. A internet abriu as portas para todo tipo de conhecimento, inclusive o da música clássica, que ficava restrita a guetos.

[ 13/10/2007 ]   02:01