11 de setembro de 2007
 
Pitty comanda um karaokê sem vibração

Rodney Brocanelli

Com a morte de Renato Russo (que ocasionou o fim da Legião Urbana) e o ocaso de bandas como Engenheiros do Hawaii e Titãs, o cargo de porta-voz de uma parcela da juventude brasileira, vago há um bom tempo, foi diluído entre Los Hermanos e mais uma dúzia de bandas roqueiras. Pitty é uma delas. As músicas da cantora trazem uma grande característica de parte do material produzido pela geração 80 do rock nacional: a tentativa de passar uma mensagem, seja ela como uma palavra de ordem ou mesmo um panfleto político. Outro elemento daquela época que se faz presente em seu trabalho são as canções de amor. Sustentada nesse tripé, a cantora faz um balanço de sua produção no CD/DVD {Des}concerto ao vivo.

O show foi gravado em São Paulo, cidade onde ela e boa parte de seu público moram. A celebração, porém, apresenta vários problemas. Tendo consciência de que está com a platéia ganha antes mesmo de pisar no palco, não há entrega, nem vibração por parte de Pitty e de sua banda. Algumas versões, como a de Equalize, soam arrastadas. As músicas novas, Pulsos e Malditos cromossomos, nada acrescentam. Poderiam ser guardadas para um álbum de estúdio. Outro agravante é que, em algumas ocasiões, o coro que vem do público é que leva Pitty e não o contrário, especialmente nos hits Na sua estante e Déjà vu. Fica no ar a impressão de um mega karaokê, apresentado para ganhar o jogo.

Cotação: H

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