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Aldir Blanc Mais uma vez, a crise de labirintite me tirou da jogada no desfile do bloco Muvuca do São Carlos. Queridos muvuqueiros, muvuquenses, ou muvucas, vocês não podem imaginar como eu sofri por ter faltado à homenagem que me foi prestada sendo o enredo deste ano. Nasci no Estácio, lá vivi dos 11 aos 18 anos, na Maia Lacerda. Meu pai tem 84 anos e é Maia Lacerda, o que não é brincadeira. Só o fato de o Velho ser saudado pela bateria do Muvuca, em frente ao prédio onde mora, foi demais. Quem faz a meu pai, faz a mim. Não tenho como retribuir tamanha honra. Todo mundo que conhece um pouquinho sobre blocos e escolas de samba sabe o que uma saudação de bateria significa. Pra que meus muvucas não pensem que faltei por descaso, vou confessar: cheguei a chorar de raiva. Liguei para dois médicos a fim de controlar a insuportável crise no ouvido esquerdo, que me levava a vomitar toda hora. Essa coisa da mal chamada labirintite praticamente apagou o ano de 2006 da minha vida. Perdi duas feijoadas do querido e grande compositor Ratinho; caldos divinos da Jane e do Luis Carlos da Vila, no Cacique de Ramos; quitutes de aniversário da Tia Surica; várias festas de 70 anos do meu mentor Hermínio Bello de Carvalho; show de lançamento do DVD Obrigado, gente, do meu parceiro João Bosco; gravação de uma faixa no CD do Rancho Flor do Sereno; shows da Vó Maria do Donga; pagodes de aniversário do Zé Luis do Império; Samba do Trabalhador, no Renascença, e as rodas, no Clube Santa Luzia; promoções do irmão Moacyr Luz... A lista tomaria um catálogo telefônico. No Simpatia é Quase Amor, ao lado das inesquecíveis figuras carnavalescas Dona Zica e Albino Pinheiro, sou padrinho ou patrono - sempre confundo. Fui enredo do Não Muda Nem Sai de Cima, do Segura pra Não Cair e da Lins Imperial, mas, a partir de hoje, com todo respeito pelas outras agremiações, o bloco do meu coração é o Muvuca do São Carlos. Valeu, Celinho, Simone, Felipe, Serginho Correa; os compositores Luiz Sapatinho, Leandro Santos, César Nascimento e componentes da bateria, tudo cobra criada. Escrever, nas costas da linda camiseta, "Nem mudando a gente sai de cima", foi coisa de gênio .
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