08 de maio de 2008
 
Esperança contra a dor

Substância anula incômodo efeito colateral da morfina

Cecilia Minner

São Paulo

Um dos efeitos colaterais mais incômodos para pacientes que têm de fazer uso de opióides como a morfina, para aliviar as dores crônicas, está com os dias contados. Os laboratórios americanos Wyeth e Progenics Pharmaceuticals desenvolveram um medicamento para combater a constipação, ou prisão de ventre, induzida por opióides, sem anular seu efeito analgésico.

O brometo de metilnaltrexona, que será comercializado sob o nome de Relistor, é um medicamento injetável, administrado via subcutânea. Já foi aprovado pela agência sanitária americana FDA e espera o aval da Anvisa para entrar no mercado brasileiro no início do ano que vem. A substância tem potencial de deslocar seletivamente os opióides dos receptores mu-opióides localizados no trato gastrintestinal, sem afetar os efeitos do analgésico no sistema nervoso central do paciente.

– Dietas com fibras e uso de laxantes não são eficazes com quem toma morfina – explica Ricardo Caponero, oncologista clínico do Hospital Brigadeiro, em São Paulo. – A morfina, atualmente, é mais usada em pessoas com câncer, devida a dor da fratura óssea, mas é aplicada também em pacientes com doenças articulares degenerativas, como a artrose. A dor crônica está geralmente associada ao rompimento de um tecido.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que a dor crônica, caracterizada pela persistência, afeta 30% da população mundial. No Brasil, estima-se que 50 milhões de pessoas sintam este tipo de dor.

Atendimento

O relatório da OMS indica: o atendimento aos pacientes tem sido inadequado. Os motivos são falta ou dificuldade na obtenção de opióides e receios quanto ao uso.

– A morfina só é conseguida com uma receita especial, a amarela, válida por um mês. Com isso os pacientes teriam que ir ao consultório médico com mais freqüência, o que é difícil – disse Caponero.

[ 08/05/2008 ]   02:01