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Nova York. O mecanismo pelo qual lemos uma frase é bem diferente do que se suspeitava. Antes, os cientistas defendiam que, durante a leitura, ambos os olhos se focavam na mesma letra de uma palavra. Mas uma equipe de pesquisadores do Reino Unido mostrou que, em quase metade do tempo, cada olho é atraído para caracteres diferentes, simultaneamente. Durante um festival de ciência em Nova York, pesquisadores da Universidade de Southampton revelaram que o nosso cérebro pode unir duas imagens diferentes para obter uma imagem mais clara de uma página. Equipamentos sofisticados para monitoramento dos olhos permitiram que os cientistas localizassem em qual letra os olhares dos voluntários estavam focalizando, ao lerem uma fonte de 14 pontos de uma distância de um metro. Em vez de os olhos terem se movido sem interrupções pelo texto, fizeram pequenos movimentos transladados, mirando uma palavra específica por um instante, e depois se movendo ao longo da frase. Os períodos em que os olhos estão parados são chamado fixações. - Descobrimos que num número substancial de fixações as pessoas não estão olhando para a mesma letra - resumiu Simon Liversedge, professor da universidade. Segundo Liversedge, os olhos geralmente se focam em letras da mesma palavra, a cerca de dois caracteres de distância. - Na leitura, as duas linhas de visão podem estar descruzadas ou se cruzando alternadamente - acrescentou. O estudo mostrou que ambos os olhos podem se direcionar para a mesma letra em 53% do tempo. Em 39% das vezes, olhos não cruzados observam letras diferentes, e, em 8%, estão cruzados para se focarem em letras diferentes. Uma experiência posterior com o mesmo equipamento usado na pesquisa mostrou que só podemos ver uma imagem clara quando lemos porque o cérebro se foca ao mesmo tempo nas imagens diferentes transmitidas pelos olhos. Os testes mostram que usamos a informação de ambos os olhos, em vez de o cérebro suprimir uma imagem e só processar a outra. - Um entendimento aprimorado dos processos fisiológicos da leitura é vital se quisermos desenvolver métodos melhores para ensinar as crianças a ler e oferecer tratamentos para as pessoas com desordens de leitura, como a dislexia - completou Liversedge.
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