26 de abril de 2007
 
Hipertensos ganham novo medicamento

No ano que vem, os brasileiros que sofrem com pressão alta ganharão uma nova opção de terapia. De acordo com o Matthew Weir, pesquisador da Universidade de Maryland, nos EUA, o alisquireno tem como benefícios principais a facilidade de associação a outras drogas e a proteção contra os danos aos órgãos vitais causados pela doença.

- O alisquireno tem um mecanismo novo para diminuir a pressão sangüínea - explica Weir. - O remédio age inibindo a renina, enzima que cataliza a primeira transformação do hormônio angiotensina, essencial tanto para a regulação da pressão como para a da dilatação dos vasos sangüíneos.

Um estudo em mais de 50 países, entre os quais a Argentina e o Brasil, está em curso para avaliar os benefícios a longo prazo do alisquireno. Weir garante que os pacientes das primeiras análises nos EUA e Canadá não informaram nenhum efeito colateral diferente do observado com o uso de placebos.

Outros medicamentos para hipertensão que agem sobre o sistema renina-angiotensina interferem em fases mais adiantadas da conversão hormonal. Embora eficazes, permitem caminhos de escape e uma redução menor da pressão.

Weir revela que os índices considerados perigosos para pressão estão baixando, por não existirem mais dúvidas sobre o efeito da doença nos ataques cardíacos, falência dos rins e derrames.

- Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor. O paciente ganha em qualidade de vida - completa o gerente médico da Novartis, Abrão Abuhab.

O alisquireno já recebeu aprovação da Food and Drug Administration e está à venda nos EUA. A Novartis, que o comercializa sob o nome Rasilez, espera a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para vender no Brasil.

- Nos EUA, um terço da população é hipertensa. O problema também é grande em países em desenvolvimento como a Índia e a China. Contribuem para a doença fatores genéticos, estilo de vida sedentário e uma dieta pobre - diz Weir.

De acordo com a Associação Brasileira de Hipertensão, 30 milhões de brasileiros - ou 30% da população adulta - sofrem com a doença. (J.A.R.)