24 de maio de 2008
 
Princípio é inteligente, mas resultado ainda perde para o preço mais elevado

Bob Knoll

The New York Times

Pode ser considerada uma espécie de mágica o fato de a GM ter transformado um SUV beberrão em um carro híbrido. Mas o sistema inovador, instalado no Tahoe e no GMC Yukon, é o começo da adaptação de outros modelos enormes, como o Cadillac Escalade e as grandes picapes. A tecnologia, oriunda dos grandes ônibus, impressiona por oferecer dois tipos de operação, um para a cidade e outro para as rodovias. Foi desenvolvida em parceria com BMW, Daimler e Chrysler.

Das quatro sócias, a GM foi a primeira a levar o sistema ao mercado, justamente com dois grandes SUVs, procurando preservar as características de ambos, que é a de fazer serviço pesado. Podem rebocar um barco ou um trailer e acomodar até nove passageiros. Mas enquanto os híbridos ganham em economia, é bom lembrar que o preço ainda elevado reduz tal vantagem.

A grande questão, então, é saber se vale a pena comprar um veículo assim ou partir para os crossovers mais eficientes, como o próprio Buick Enclave e o GMC Acadia, ambos da GM. Para a montadora, o argumento na escolha do Tahoe e do Yukon tem relação com o nível de economia: por esse raciocínio, qualquer redução num modelo de consumo alto vale mais do em carros eficientes como o Honda Civic.

Os dois SUVs têm o princípio moderno de serem equipados com motores elétricos que auxiliam o normal, que pode ser menor. É diferente do Toyota Prius, que pode rodar só com eletricidade por breve período. Nos Tahoe-Yukon, a bateria de níquel apóia as transmissões variáveis (EVT), com 60 kw de potência cada (uma delas com variação infinita, o que proporciona várias combinações de torque em baixa rotação), estas acopladas ao motor a combustão. A segunda EVT entra em ação quando há necessidade de mais torque e o computador gerencia a eficiência do sistema. A bateria é tão forte que sustenta o ar condicionado com o motor desligado. Mudanças na aerodinâmica também ajudaram o desempenho, bem como o uso de materiais mais leves, como o alumínio, e de bancos de menor espessura.

A combinação desses fatores leva a montadora a afirmar que o ganho de economia chega a 40% na cidade e 25% no cômputo geral. Mas a avaliação na rua não sustentou muito tal argumento, sobretudo porque não houve diferença marcante registrada entre o uso nas rodovias e nas ruas. No máximo 4 ou 5 milhas por galão, para um preço mais elevado, algo em torno, US$ 10 mil. O dono vai precisar rodar 15 mil milhas para poder economizar US$ 1 mil. E olhe que o híbrido nem é tão ecológico, já que há vários modelos a gás que são capazes de cumprir a legislação de emissão zero.

O mercado entende isso. Apenas 655 Tahoe e Yukon híbridos foram vendidos nos primeiros quatro meses de 2008, mesmo com a GM insistindo em planos de venda de 12 mil unidades/ano. A Chrysler também a segue, preparando duas versões de SUV grandes, os Dodge Durango e Chrysler Aspen.

[ 24/05/2008 ]   02:01