SÁBADO, 15/12/2001

Ministro elogia ação ''exemplar''

HUGO MARQUES


BRASÍLIA -O ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, disse que a prisão do principal mandante do assassinato do padre Josimo Tavares ''foi uma operação exemplar, conduzida milimetricamente, tanto pelo Jornal do Brasil quanto pela Polícia Federal''. As diligências, ressaltou, ''compatibilizaram o direito à informação com os interesses do Estado de providenciar a punição dos criminosos. A prisão servirá como exemplo de combate à impunidade no país''.

Os bispos que lutaram ao lado de Josimo pela reforma agrária estavam emocionados ontem. ''É um avanço na prática da Justiça neste país'', disse o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno. Em 1986, dias antes do crime, Dom Tomás esteve no Palácio do Planalto com Josimo. O pistoleiro que cometeria o assassinato tinha disparado cinco tiros contra o carro do padre.

Por escrito - ''Pedimos proteção de vida ao presidente José Sarney. Nos informaram depois que o pedido não teve efeito, porque não tinha sido feito por escrito'', contou o bispo.

''A prisão e o julgamento do mandante do crime de Josimo é um gol a favor da Justiça brasileira'', disse Dom Pedro Casaldáliga, ex-presidente da CPT e companheiro de trabalho do padre. Quando foi assassinado, Josimo ia para uma reunião na sede local da CPT. ''Não queremos vingança. O ideal é que ninguém fique numa cadeia. Mas a Justiça deve ser feita nestes casos para que a impunidade não vingue'', afirmou Casaldáliga

Estímulo - Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado Nélson Pellegrino (PT-BA), um repórter do JB ter encontrado o mandante 15 anos depois do assassinato ''é prova de pouco interesse das autoridades'' na prisão de criminosos. ''Espero que a prisão sirva de estímulo para que haja ação mais eficaz na busca e na captura de responsáveis por homicídios com mandado de prisão neste país''.

O coordenador da CPT em Araguaína, Xavier Plassat, lembrou que, agora, os mandantes da morte de Josimo vão ser julgados. ''A prisão deles, principalmente a de Osmar, apontado como o planejador do crime, vai fazer andar um processo que está há mais de dez anos parado'', aplaudiu. ''A lei impede que réus foragidos sejam pronunciados.''

Marco - O frei Henri des Roziers, coordenador da CPT em Xinguara, foi enfático: ''As reportagens que culminaram com a prisão dos assassinos foram um marco no combate à violência no campo. Hoje é um dia histórico. Eu trabalhei com Josimo em Wanderlândia, no Tocantins, em 1979, e estou emocionado.''

Também o dirigente do MST no Pará, Ulisses Manaças, elogiou as reportagens do JB. ''Trouxeram à tona o caos que é a luta pela reforma agrária no Pará. Põem o dedo na ferida. A foto da delegada junto com um pistoleiro é simbólica. É a síntese da situação de violência contra os trabalhadores rurais.''



 

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