Ministro
elogia ação ''exemplar''
HUGO MARQUES
BRASÍLIA
-O ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira,
disse que a prisão do principal mandante do assassinato
do padre Josimo Tavares ''foi uma operação exemplar,
conduzida milimetricamente, tanto pelo Jornal
do Brasil quanto pela Polícia Federal''. As
diligências, ressaltou, ''compatibilizaram o direito
à informação com os interesses do Estado de providenciar
a punição dos criminosos. A prisão servirá como
exemplo de combate à impunidade no país''.
Os bispos que lutaram ao lado de Josimo pela reforma
agrária estavam emocionados ontem. ''É um avanço
na prática da Justiça neste país'', disse o presidente
da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno.
Em 1986, dias antes do crime, Dom Tomás esteve no
Palácio do Planalto com Josimo. O pistoleiro que
cometeria o assassinato tinha disparado cinco tiros
contra o carro do padre.
Por
escrito - ''Pedimos proteção de vida ao presidente
José Sarney. Nos informaram depois que o pedido
não teve efeito, porque não tinha sido feito por
escrito'', contou o bispo.
''A prisão e o julgamento do mandante do crime de
Josimo é um gol a favor da Justiça brasileira'',
disse Dom Pedro Casaldáliga, ex-presidente da CPT
e companheiro de trabalho do padre. Quando foi assassinado,
Josimo ia para uma reunião na sede local da CPT.
''Não queremos vingança. O ideal é que ninguém fique
numa cadeia. Mas a Justiça deve ser feita nestes
casos para que a impunidade não vingue'', afirmou
Casaldáliga
Estímulo
- Para o presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara, o deputado Nélson Pellegrino
(PT-BA), um repórter do JB ter encontrado
o mandante 15 anos depois do assassinato ''é prova
de pouco interesse das autoridades'' na prisão de
criminosos. ''Espero que a prisão sirva de estímulo
para que haja ação mais eficaz na busca e na captura
de responsáveis por homicídios com mandado de prisão
neste país''.
O coordenador da CPT em Araguaína, Xavier Plassat,
lembrou que, agora, os mandantes da morte de Josimo
vão ser julgados. ''A prisão deles, principalmente
a de Osmar, apontado como o planejador do crime,
vai fazer andar um processo que está há mais de
dez anos parado'', aplaudiu. ''A lei impede que
réus foragidos sejam pronunciados.''
Marco
- O frei Henri des Roziers, coordenador da CPT
em Xinguara, foi enfático: ''As reportagens que
culminaram com a prisão dos assassinos foram um
marco no combate à violência no campo. Hoje é um
dia histórico. Eu trabalhei com Josimo em Wanderlândia,
no Tocantins, em 1979, e estou emocionado.''
Também o dirigente do MST no Pará, Ulisses Manaças,
elogiou as reportagens do JB. ''Trouxeram
à tona o caos que é a luta pela reforma agrária
no Pará. Põem o dedo na ferida. A foto da delegada
junto com um pistoleiro é simbólica. É a síntese
da situação de violência contra os trabalhadores
rurais.''