SEXTA, 14/12/2001

Conselheiros recebem reportagens

BRASÍLIA - O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, vai apresentar as reportagens do Jornal do Brasil sobre violência no Pará na próxima reunião do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Durante a reunião, na terça-feira, os conselheiros vão solicitar informações às autoridades de segurança pública do Pará sobre a violência no Estado.

Para o secretário, o objetivo é encontrar soluções conjuntas dos governos federal e estadual. ''Em colaboração com as autoridades do Pará, vamos enfrentar os problemas que o JB tão bem vem denunciando.'' Além de apresentar as denúncias do Jornal do Brasil ao conselho, o secretário pretende incorporá-las ao extenso dossiê sobre violência no Pará.

Todas as cópias das reportagens foram entregues ontem ao secretário pelo coordenador de Direitos Humanos do Movimento dos Sem-Terra (MST), Nei Strozake. Participaram da reunião um dos diretores nacionais do movimento, Valdir Misnerovicz, e o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT paulista.

Assassinatos - O MST pediu providências para vários casos de violência no país. Segundo Strozake, um levantamento entregue ao secretário lista 12 assassinatos e 179 prisões de pessoas ligadas ao MST este ano, além de 30 despejos violentos. Pinheiro recebeu cópia do depoimento do sem-terra Cristiano José Batista da Silva, torturado dia 23 de julho por soldados da Polícia Militar em Caruaru (PE). Todos os casos serão levados ao CDDPH.

Strozake solicitou que o governo federal revogue a medida provisória que suspende por dois anos as vistorias de fazendas ocupadas. Para Misnerovicz, só o assentamento urgente de 80 mil famílias que estão em acampamentos pode evitar conflitos agrários no país.

As denúncias que têm sido feitas pelo JB desde domingo podem contribuir, considera o MST, para evitar mortes no Pará, caso sejam investigadas e haja punição. ''O alerta do JB pode evitar a criação de um novo Chiapas no Pará'', diz Strozake, fazendo referência ao Estado mexicano. ''A única saída daquele povo, se não estiver organizado em movimentos sociais, serão as armas.''



 

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