BRASÍLIA
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O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo
Sérgio Pinheiro, vai apresentar as reportagens do
Jornal do Brasil sobre violência no Pará
na próxima reunião do Conselho Nacional de Defesa
dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Durante a
reunião, na terça-feira, os conselheiros vão solicitar
informações às autoridades de segurança pública
do Pará sobre a violência no Estado.
Para o secretário, o objetivo é encontrar soluções
conjuntas dos governos federal e estadual. ''Em
colaboração com as autoridades do Pará, vamos
enfrentar os problemas que o JB tão bem
vem denunciando.'' Além de apresentar as denúncias
do Jornal do Brasil ao conselho, o secretário
pretende incorporá-las ao extenso dossiê sobre
violência no Pará.
Todas as cópias das reportagens foram entregues
ontem ao secretário pelo coordenador de Direitos
Humanos do Movimento dos Sem-Terra (MST), Nei
Strozake. Participaram da reunião um dos diretores
nacionais do movimento, Valdir Misnerovicz, e
o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT paulista.
Assassinatos
- O MST pediu providências para vários casos
de violência no país. Segundo Strozake, um levantamento
entregue ao secretário lista 12 assassinatos e
179 prisões de pessoas ligadas ao MST este ano,
além de 30 despejos violentos. Pinheiro recebeu
cópia do depoimento do sem-terra Cristiano José
Batista da Silva, torturado dia 23 de julho por
soldados da Polícia Militar em Caruaru (PE). Todos
os casos serão levados ao CDDPH.
Strozake solicitou que o governo federal revogue
a medida provisória que suspende por dois anos
as vistorias de fazendas ocupadas. Para Misnerovicz,
só o assentamento urgente de 80 mil famílias que
estão em acampamentos pode evitar conflitos agrários
no país.
As denúncias que têm sido feitas pelo JB
desde domingo podem contribuir, considera o MST,
para evitar mortes no Pará, caso sejam investigadas
e haja punição. ''O alerta do JB pode evitar
a criação de um novo Chiapas no Pará'', diz Strozake,
fazendo referência ao Estado mexicano. ''A única
saída daquele povo, se não estiver organizado
em movimentos sociais, serão as armas.''