A região - que compreende o Sul do Pará, o Norte
de Tocantins e o Sudoeste do Maranhão - tem enorme
concentração fundiária e vive uma tensão social
permanente. Como a CPT apóia a luta dos trabalhadores
rurais pela terra, é odiada pelos fazendeiros.
Nascido em Marabá (PA), Josimo foi criado em Xambioá
(TO). Viveu só até os 33 anos. Acabar de chegar
a Imperatriz, vindo de São Sebastião do Tocantins
(TO), onde era vigário, quando foi atingido por
dois tiros de pistola calibre 7.65, disparados por
Geraldo Rodrigues da Costa. O padre foi levado a
um hospital, mas, por falta de anestesia, os médicos
não puderam operá-lo. Morreu duas horas depois.
O pistoleiro fugiu num automóvel Corcel. A placa
foi anotada e deu a pista para a prisão, menos de
um mês depois do crime. Levado à Polícia Federal,
Geraldo disse ter sido contratado por Osmar Teodoro
da Silva para matar o padre. Semanas antes, fizera
uma tentativa. Josimo saiu ileso, mas o carro em
que estava ficou com cinco perfurações de bala.
Os trabalhadores rurais da região transformaram
a camisa ensangüentada de Josimo em bandeira. Em
passeatas e manifestações, a exibiam vestindo uma
cruz de madeira.
Na missa de sétimo dia, em São Sebastião de Tocantins,
à qual compareceram 500 pessoas, a líder sindical
Raimunda Gomes da Silva, de 45 anos e seis filhos,
fez o discurso mais aplaudido. Emocionou a todos
ao afirmar, chorando: ''Eles tiram a gente da terra,
mas a gente volta de novo. Mataram o padre Josimo
porque ele era um líder, mas todos nós, do povo,
somos também líderes.''
Se de parte da Igreja e dos trabalhadores o padre
só recebeu homenagens, o tratamento dado a ele pelas
autoridades policiais foi diferente. O secretário
de Justiça e Segurança do Maranhão, coronel Silva
Júnior, em entrevista coletiva oito dias depois
do crime, acusou Josimo de ''ter feito agitação
no Bico do Papagaio, pregando doutrinas contrárias
ao regime''. Disse, ainda, que o padre ''era adepto
da Teologia da Libertação e da pregação da Bíblia
Sagrada num ângulo marxista comunista''.
O comando do 23° Batalhão de Infantaria de Selva,
sediado em Marabá, informou, em relatório entregue
ao então diretor-geral da Polícia Federal, Romeu
Tuma, que Josimo era ''militante do PT e do PC do
B (sic)''.