Dirigentes
do MST têm hoje, às 15h, no Ministério da Justiça, uma
reunião com o novo secretário nacional de Direitos Humanos,
Paulo Sérgio Pinheiro. O objetivo é discutir a violência
no Sul do Pará. Na audiência, os representantes dos sem-terra
vão entregar os originais das reportagens que vêm sendo
publicadas desde domingo no Jornal do Brasil, acompanhados
de carta pedindo providências ao governo federal.
''Vamos levar também a edição de hoje (ontem) do JB,
que mostra a reação armada de posseiros desesperados
com as injustiças e falta de alternativas. Vamos explicar
que casos como esse tendem a se multiplicar caso não
haja a intervenção do poder público e uma reforma agrária
naquela região'', disse Nei Strozake, advogado e coordenador
de direitos humanos do MST.
''Se não fosse a presença do MST, conscientizando e
organizando trabalhadores rurais, mais gente estaria
nesse tipo de saída desesperada, pegando em armas para
defender a vida.'' Estarão com Strozake na audiência
Valdir Misnerovicz, dirigente nacional, e dirigentes
do MST em Pernambuco, no Pará e no Espírito Santo.
Denúncias
- Os líderes do MST levarão ao secretário mais duas
denúncias. A primeira está em relatório sobre assassinato
de 12 ativistas sem terra em 2001.
A segunda denúncia é a de tortura sofrida por Cristiano
José Batista da Silva, um militante do MST em Pernambuco.
Cristiano foi torturado depois de preso pela Polícia
Militar por participar do saque de um caminhão com alimentos
no dia 23 de junho. Cristiano, que tem 18 anos e é analfabeto,
chegou a ser hospitalizado devido às torturas e só foi
solto anteontem.
O MST vai levar ainda a Paulo Sérgio Pinheiro duas reivindicações:
a suspensão da medida provisória que impede vistorias
do Incra em áreas ocupadas e o apoio do governo ao projeto
que transfere para a Justiça Federal a competência para
julgar crimes contra os direitos humanos.
Em Belém, pelo terceiro dia consecutivo o secretário
de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não quis dar
entrevista ao JB a respeito das reportagens sobre
a violência no Sul do Pará. Ele afirma que está consolidando
números oficiais sobre mortes de trabalhadores rurais
no Estado e que só falará ao fim do trabalho.
Ontem Sette Câmara esteve reunido com o governador Almir
Gabriel (PSDB) e delegados, entre os quais Augusto Mota,
que é ligado aos fazendeiros e classificou os sem-terra
de baderneiros em conversa com o repórter do JB.