QUINTA, 13/12/2001

MST vai a secretário

CID BENJAMIN

Dirigentes do MST têm hoje, às 15h, no Ministério da Justiça, uma reunião com o novo secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro. O objetivo é discutir a violência no Sul do Pará. Na audiência, os representantes dos sem-terra vão entregar os originais das reportagens que vêm sendo publicadas desde domingo no Jornal do Brasil, acompanhados de carta pedindo providências ao governo federal.

''Vamos levar também a edição de hoje (ontem) do JB, que mostra a reação armada de posseiros desesperados com as injustiças e falta de alternativas. Vamos explicar que casos como esse tendem a se multiplicar caso não haja a intervenção do poder público e uma reforma agrária naquela região'', disse Nei Strozake, advogado e coordenador de direitos humanos do MST.

''Se não fosse a presença do MST, conscientizando e organizando trabalhadores rurais, mais gente estaria nesse tipo de saída desesperada, pegando em armas para defender a vida.'' Estarão com Strozake na audiência Valdir Misnerovicz, dirigente nacional, e dirigentes do MST em Pernambuco, no Pará e no Espírito Santo.

Denúncias - Os líderes do MST levarão ao secretário mais duas denúncias. A primeira está em relatório sobre assassinato de 12 ativistas sem terra em 2001.

A segunda denúncia é a de tortura sofrida por Cristiano José Batista da Silva, um militante do MST em Pernambuco. Cristiano foi torturado depois de preso pela Polícia Militar por participar do saque de um caminhão com alimentos no dia 23 de junho. Cristiano, que tem 18 anos e é analfabeto, chegou a ser hospitalizado devido às torturas e só foi solto anteontem.

O MST vai levar ainda a Paulo Sérgio Pinheiro duas reivindicações: a suspensão da medida provisória que impede vistorias do Incra em áreas ocupadas e o apoio do governo ao projeto que transfere para a Justiça Federal a competência para julgar crimes contra os direitos humanos.

Em Belém, pelo terceiro dia consecutivo o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não quis dar entrevista ao JB a respeito das reportagens sobre a violência no Sul do Pará. Ele afirma que está consolidando números oficiais sobre mortes de trabalhadores rurais no Estado e que só falará ao fim do trabalho.

Ontem Sette Câmara esteve reunido com o governador Almir Gabriel (PSDB) e delegados, entre os quais Augusto Mota, que é ligado aos fazendeiros e classificou os sem-terra de baderneiros em conversa com o repórter do JB.



 

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