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| Maria
Passos, testemunha do seqüestro do sem-terra Piauí.
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RONDON
DO PARÁ -
Natural de Sabinópolis, em Minas Gerais, o fazendeiro Décio
Nunes, o Delsão, tem reações violentas. No dia da passeata
dos sem-terra, ameaçou o repórter do Jornal do Brasil,
que tentava levantar dados sobre ele no fórum da cidade.
''Você é muito inconveniente. Sai do meu pé. Atrás de mim
só anda rapariga. Você vai se dar mal'', disse aos berros,
depois de empurrar o jornalista com um tapa.
Fiel escudeiro do fazendeiro, o ex-deputado federal Olavo
Rocha entrou em cena para impedir nova agressão. Olavo
e o repórter foram acompanhados de perto por um jagunço
de Delsão. Aparentando ter uma arma escondida na cintura,
ele encarava insistentemente o jornalista.
Na véspera, Delsão tinha recebido o JB no escritório
que mantém na cidade. Lá, fez questão de tirar uma cópia
da carteira de identidade do entrevistador.
Com os olhos arregalados e demonstrando ódio ao criticar
os trabalhadores rurais, Delsão se disse injustiçado.
Negou ter cometido os crimes que lhe atribuem. ''Emprego
800 pessoas nas minhas fazendas e madeireiras. Bandidos
são esses sem-terra.''
O fazendeiro anunciou que os fazendeiros da região pretendem
reunir-se numa associação, nos moldes da UDR, para conter
a onda de ocupações de terras.
Delsão chegou sem tostão de Minas, no início dos anos
80. Hoje, é uma das pessoas mais ricas e temidas no município.
''Tenho medo de que algo aconteça comigo'', afirma Maria
Passos, testemunha do seqüestro do companheiro Piauí.
O sem-terra tinha chegado do Maranhão há três meses. Foi
levado de casa e morto por Delsão e o pistoleiro Pedro,
que teria sido assassinado posteriormente pelo fazendeiro.
No fórum, os processos que investigam as mortes de Piauí
e outros trabalhadores que teriam sido executados a mando
de Delsão estão parados há um ano. ''Os funcionários dos
cartórios estão a serviço de Delsão e nos boicotam'',
disse o promotor interino Raimundo Pires.